Zazen por Charlotte Joko Beck

(…) O ponto central do zazen é este: o que temos de fazer com constância é apenas criar uma discreta transição do mundo vertiginoso que temos dentro de nossas mentes para o momento presente, o preciso aqui e agora. Essa é nossa prática. O que temos de desenvolver é nossa intensidade e nossa capacidade de estar exatamente aqui e agora. Precisamos ser capazes de desenvolver a habilidade de dizer: “Não, não vou nessa vertigem”; de fazer tal escolha. Nossa prática é, de momento a momento, como uma escolha, uma encruzilhada no caminho: podemos ir por aqui ou por ali. É sempre uma escolha, a cada momento, entre o belo mundo que desejamos criar em nossas mentes e aquilo que de fato existe (…).

(…) Não espere ser nobre, quando praticar o sentar. Ao desistirmos dessa mente vertiginosa, mesmo que por apenas alguns instantes e só sentamo-nos com o que é, essa presença que somos é como um espelho. Vemos tudo. Vemos o que somos: nosso esforço para parecermos bons, para sermos os primeiros, ou para sermos os últimos. Vemos nossa raiva, nossa ansiedade, nossa arrogância e nossa pseudoespiritualidade. A verdadeira espiritualidade é apenas estar com tudo isso. Se na realidade pudermos estar com Buda, com quem somos, então isso se transforma.

De Charllote Joko Beck, “Sempre Zen”.

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