Zen Budismo

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O Zen Budismo tem suas origens nos ensinamentos de Bodidarma, o vigésimo oitavo Mestre Ancestral da linhagem que se inicia em Xaquiamuni Buda. Emigrando do sub-continente indiano, Bodidarma traz para a China do séc. VI d.C. um olhar bastante particular em relação aos ensinamentos de Buda. Seu feito mais conhecido é ter-se sentado de frente para a parede de uma caverna por nove anos ininterruptos. Sua ênfase na prática da meditação sentada contrastava com a inclinação em direção à discussão teórica e filósofica de textos clássicos, que predominava em muitas outras tradições do budismo.

Os ensinamentos de Bodidarma dão origem a novas linhagens de prática, que depois de muito tempo terminam por influenciar decisivamente o surgimento do Zen no Japão do séc. XII. A linhagem Soto Shu, fundada por Eihei Dogen Zenjji Sama é uma destas. Esta tradição é conhecida pela prática do “shikantaza”, ou “apenas sentar-se”. Como em outras linhagens, realizam-se liturgias, exegeses de textos religiosos, koans e atividades recitativas e devocionais, mas a ênfase está na prática da meditação sentada/zazen.  

Para o Zen Budismo, a verdade está na vida cotidiana, e não apenas nas representações que fazemos dela com palavras ou ensinamentos. Dizemos que a realidade é assim como é. Neste sentido, a iluminação não é um objetivo a ser alcançado após longos anos de esforço e de prática meditativa: já somos iluminados, ainda que não saibamos disto, e prática e iluminação não podem ser separadas uma da outra. Este é o sentido da prática zen budista.

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Quando, em sua volta da China, perguntaram a Mestre Dogen Zenji o que ele tinha trazido de lá, ele disse: “Eu vim de mãos vazias, não trouxe nada especial”. Insistiram: “Mas o que você aprendeu?”, e ele respondeu: “Que o nariz está na vertical e os olhos na horizontal”.

 Ele revelou o caminho do shikantaza, “puro sentar”, que não requer nenhuma atividade ou objetivo. Recomendou a todos o mais simples e direto caminho para o despertar e para a paz incondicional. Todos os seres são Budas e todos podem despertar para esta realidade. O zazen é a mais útil e universal forma de prática para este propósito, para além de discriminações, rótulos, crenças, raízes, nacionalidades.

Devemos parar de correr atrás de palavras e de letras e aprendermos a nos retirar e refletir sobre nós mesmos. Quando assim fazemos, nosso corpo e mente são naturalmente transcendidos, e nossa natureza-Buda original se manifesta”[1].

“Endireite sua postura e mantenha a postura correta. E a postura correta você deve manter em toda a sua vida, com cada pessoa que encontra. Mantenha os ombros para trás e para baixo, abra esse peito, esteja em correta postura, em alinhamento com o cosmos, e trate cada pessoa que você encontra com respeito e dignidade”[2].

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Saiba um pouco mais sobre a história desta linhagem do Japão até o Brasil atual: 

Baixe o texto (pdf):  O que significa ser Zen budista no Brasil?

Conteúdo: 

* A transmissão histórica de uma prática 

* Zen da China ao Japão

* Mestre Dogen encontra Mestre Eisai

* De Kennin Ji para a China – refazendo os caminhos de Mestre Eisai

* O que Mestre Dogen encontrou na China

* De volta ao Japão

* A Escola Soto Zen do Japão

* A Soto Zen pelo mundo

* Zen no Brasil

* O que significa ser Zen budista…no Brasil?

 

[1] DOGEN, E. Fukanzazengui. Regras Universais do Zazen[2] COEN, MONJA. Zen para distraídos / Monja Coen, Nilo Cruz. – São Paulo: Planeta do Brasil, 2018.
fontes: https://www.zendobrasil.org.br/quem-somos/zen-budismo/ e texto “O que significa ser Zen Budista no Brasil”.