> Shobogenzo Zuimonki (4) – Livro 1 Parte 3

Seja permitindo ou proibindo, todos os mestres antigos certamente tinham suas próprias deliberações profundas..

Palavras chave: PRECEITOS; VERDADEIRA PRÁTICA; REGRAS MONÁSTICAS

LIVRO 1

1-3

Em uma ocasião, Dogen disse,

Na assembleia do mestre Zen Bussho (Fuzhao)[1], havia um monge que, quando estava doente, queria comer carne[2]. O mestre permitiu que ele o fizesse. Uma noite, o mestre em pessoa foi à enfermaria e viu o monge doente comendo carne sob a fraca luz de uma lamparina. Um demônio estava agarrado à cabeça do monge, comendo a carne. Embora o monge pensasse que estava a colocando dentro de sua própria boca, não era ele, mas o demônio que estava comendo. Depois disso, sempre que um monge se sentia doente, o mestre autorizava que ele comesse carne, pois ele sabia que ele estava possuído por demônios.

Pensando sobre esta história, devemos cuidadosamente considerar se devemos autorizar isso ou não. Também na assembleia de Goso Hoen (Wuzu Fayan)[3] há o relato de um caso de consumo de carne. Seja permitindo ou proibindo, todos os mestres antigos certamente tinham suas próprias deliberações profundas.


[1]Bussho (Fuzhao) é o título honorífico de Setsuan Tokko (Zhuaan Deguan, 1121-1203), o professor de Musai Ryoha (Wuji Liaopai, 1149-1224). Musai era o abade do Monastério Tendo (Tiantong) quando Dogen foi para a China. Depois que Musai morreu, Tendo Nyojo (Tiantong Rujing) tornou-se o abade do monastério. Esta seçao não é encontrada na versão Choenji-bon do Zuimonki.  

[2]De acordo com terceiro preceito menor do Bonmokyo, comer carne é proibido para os Budistas mahayana porque rompe as sementes da grande compaixão.

[3] Goso Hoen (Wuzu Fayan, ?-1104). Um mestre Zen da linhagem Rinzai Chinesa. É dito que ele e seus descendentes estabeleceram a Prática de koans.