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> Shobogenzo Zuimonki (58) – Livro 3 Parte 10

Sem ter a mínima expectativa, mantenha os modos de conduta prescritos. Pense em agir para salvar e beneficiar os seres vivos, pratique com seriedade todas as boas ações e abandone as más ações anteriores. Faça isso apenas em prol de se tornar o fundamento da felicidade para os homens e seres celestiais. Sem estagnar em boas ações do presente, continue praticando por toda sua vida. Um ancião chamou a isso de “’quebrando o fundo do balde de laca”[2].  O Caminho dos budas e ancestrais é assim“.

LIVRO 3

3-10

Dogen também disse:

Então, se você deseja praticar o Caminho dos budas e ancestrais, você deveria praticar o Caminho dos antigos sábios e imitar a conduta dos ancestrais sem (qualquer expectativa de) lucro; não espere nada, não busque nada, não obtenha nada.

Mesmo que você deixe de buscar e abra mão de expectativas de se tornar buda, se parar de praticar e continuar se engajando em suas más ações anteriores, você ainda será culpado por buscar e retrocederá ao velho ninho[1].

Sem ter a mínima expectativa, mantenha os modos de conduta prescritos. Pense em agir para salvar e beneficiar os seres vivos, pratique com seriedade todas as boas ações e abandone as más ações anteriores. Faça isso apenas em prol de se tornar o fundamento da felicidade para os homens e seres celestiais. Sem estagnar em boas ações do presente, continue praticando por toda sua vida. Um ancião chamou a isso de “’quebrando o fundo do balde de laca”[2].  O Caminho dos budas e ancestrais é assim.


[1] O velho ninho é para onde sempre voltamos. Um tipo de moldura da qual não conseguimos sair, ou seja, a tendência ou o sistema de valores formado por nossa educação, experiências etc. É o eu cármico (ou condicionado).

[2] Um recipiente para laca. É tão preto que você não consegue distinguir entre as coisas. Esta é uma metáfora para as ilusões, ignorância e apego ao ego. Quebrar o balde de laca significa libertar-se dos sentimentos humanos condicionados.

> Introdução ao zazen: presencial para iniciantes – 04/06

Olá, estão abertas as inscrições para a prática presencial de iniciantes, no dia 04/06 às 10h30.

INSCREVA-SE AQUI

As vagas são limitadas. Faça sua inscrição apenas se tiver a firme intenção de comparecer.

É também uma prática zen estarmos atentos ao impacto de nossas ações sob as outras pessoas: se você se inscrever e não comparecer, estará tirando a vaga de alguém.

O Zendo é uma sala de grandes mosteiros, templos ou centros de prática usada somente para fazer zazen. Algumas salas são maiores e permitem seguir as regras dos antigos mestres fundadores. Outras são menores e necessitam de adaptações. O importante é saber que são locais para encontrar Buda.  A grande maioria dos locais de prática tem procedimentos básicos e comuns, regras de comportamento e respeito. Faz parte da prática do Zen aprender os procedimentos de cada sala/espaço, sem querer impor seu próprio jeito ou algum outro método que tenha aprendido em outro lugar. Mantenha-se alerta e adapte-se às instruções dos professores.

ORIENTAÇÕES:

  • HORÁRIO DE CHEGADA NA SALA: entre 10h20 e 10h30 – pedimos que sejam pontuais. Evitem chegar muito mais cedo pois há outra prática antes.
  • As roupas devem ser confortáveis e simples. Não é permitido usar saias e bermudas. As cores, de preferência, neutras e escuras
  • Não usar meias (pés descalços e roupas Iargas facilitam a circulação sanguínea durante o zazen).
  • Não portar telefone celular nem qualquer objeto que produza sons;
  • Não usar relógios, jóias, enfeites, colares e adornos;
  • Evitar o uso de maquiagem, perfumes, cremes ou produtos cujo odor possam incomodar;
  • Não se levante no meio da prática (a não ser por alguma questão emergencial)
  • Harmonia e respeito são fundamentais. Todos os movimentos devem ser feitos com atenção e cuidado. 
  • Silêncio: não é permitido falar na sala de zazen, principalmente durante os períodos de zazen.

ENDEREÇO: Tv. Nestor de Castro, 247 – Bloco C – Sala 1 – Centro, Curitiba – PR, 80020-250

Telefone/Whatsapp para contato: (41) 9 9117 6232 (Ryuzan)

Estacionamento com convenio: Dr Muricy,1021 (não há placa com nome) – R$10 o período.

> Shobogenzo Zuimonki (57) – Livro 3 Parte 9

“Portanto estudantes, se vocês desejam seguir o Caminho dos Ancestrais, nunca faça alarde da bondade. Purifique sua fé. Toda bondade se reúne onde o Caminho dos Budas e ancestrais é praticado. Uma vez que você tenha elucidado que todos os darmas (seres) são o buda-darma, você deveria saber que o mal é definitivamente mal e ele faz com que uma pessoa se afaste do Caminho dos budas e ancestrais. O bom é sempre bom e se conecta com o Caminho de Buda. Se assim o é, como você pode subestimar o mundo dos Três Tesouros?”

LIVRO 3

3-9

Um dia Dogen instruiu:

Você não deve deixar de realizar virtudes em segredo. Se você fizer boas ações secretamente, por certo receberá proteção oculta e benefício manifesto. Você deve respeitar imagens de Buda mesmo que elas sejam muito toscas, feitas de barro, madeira ou argila. Mesmo que os sutras estejam escritos em rolos grosseiros feitos de papel amarelo e presos a um rolo vermelho[1], você deve tomar refúgio neles. Mesmo que haja monges sem pudor que violam os preceitos, você deve respeitá-los e acreditar na sanga. Se você for respeitoso e se prostrar com fé em seu coração, certamente será feliz.  Embora você possa encontrar monges sem pudor, imagens brutas do Buda, ou rolos grosseiros dos sutras, se você não tiver fé e respeitá-los, você certamente receberá punição. Imagens do Buda, rolos de sutra e monges são o legado do Buda e o fundamento da felicidade para os homens e seres celestiais. Portanto, se você tomar refúgio neles e reverenciá-los, você certamente receberá seus benefícios. Se você não tiver fé, receberá punição. Não importa o quão incomumente tosco isso possa ser, você deve respeitar o mundo dos Três Tesouros.

É terrivelmente errado gostar de cometer más ações com o pretexto de que um monge Zen não pratica o bem nem acumula virtude. Nunca ouvi falar de nenhum de nossos antecessores que tenham servido como exemplos de maus atos.

O mestre Zen Tanka Tennen[2] queimou uma estátua de madeira do Buda. Embora pareça que isso não foi nada mais do que uma má ação, seu ato foi um meio de mostrar o darma. Quando lemos os registros das ações deste mestre, descobrimos que seu sentar estava sempre de acordo com as regras prescritas e, quando de pé, ele sempre teve boas maneiras. Seus modos eram sempre corteses como se estivesse se encontrando com um convidado nobre. Mesmo quando ele sentava por um curto período, sentava de pernas cruzadas e mantinha suas mãos na posição do shashu[3]. Ele protegia o patrimônio do templo como se estivesse cuidando dos próprios olhos. Ele nunca deixou de elogiar quando via alguém praticando com diligência. Mesmo que fossem pequenas, ele apreciava boas ações. Suas próprias ações, em sua vida diária, eram especialmente maravilhosas. Sua memória permanece como um espelho nos monastérios Zen.

Isso se aplica não apenas ao Mestre Zen Tanka Tennem, mas a todos os vários mestre que obtiveram o Caminho, e aos ancestrais que clarificaram o Caminho e foram reconhecidos como exemplos; todos mantiveram o comportamento prescrito pelos preceitos, conduziram a si mesmos com dignidade, e apreciaram até mesmo as mínimas bondades. Eu nunca ouvi falar de nenhum mestre do Caminho que tenha desconsiderado a bondade.

Portanto estudantes, se vocês desejam seguir o Caminho dos Ancestrais, nunca faça alarde da bondade. Purifique sua fé. Toda bondade se reúne onde o Caminho dos Budas e ancestrais é praticado. Uma vez que você tenha elucidado que todos os darmas (seres) são o buda-darma, você deveria saber que o mal é definitivamente mal e ele faz com que uma pessoa se afaste do Caminho dos budas e ancestrais. O bom é sempre bom e se conecta com o Caminho de Buda. Se assim o é, como você pode subestimar o mundo dos Três Tesouros?


[1] As escrituras budistas costumavam ser impressas em papel amarelo e presas a um bastão vermelho.

[2] Tanka Tennen (739–824) foi discípulo de Sekito Kisen. Quando ele estava hospedado em Erinji durante um rigoroso inverno, ele queimou uma estátua de madeira do Buda para se aquecer. Os monges de lá o abandonaram por isso. Ele disse a eles: “Estou queimando isso para pegar sharira”. (as relíquias do Buda). Alguém disse: “Como você pode obter sharira de um pedaço de madeira?” Tennen respondeu: “Se não podemos, então por que você me critica?” Nesta história Tanka mostrou que a estátua do Buda não é o verdadeiro Buda. Devemos ver o Buda sem forma além da forma da estátua.

[3] Shashu é uma forma de segurar as mãos. Coloque o polegar da mão esquerda no meio da palma e faça um punho em volta dela. Coloque o punho na frente do peito. Cubra o punho com a mão direita. Mantenha os cotovelos afastados do corpo formando uma linha reta com os dois antebraços. Em alguns mosteiros zen, os monges mantêm as mãos nessa posição enquanto caminham e ficam de pé.