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Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (6) – Livro 1 Parte 5

Não pretenda ser um professor ou um líder de outros“.

Palavras chave: VERDADEIRA PRÁTICA; APEGO AO EGO; GANÂNCIA; NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO; APEGO AOS ESTUDOS

LIVRO 1

1-5

Dogen disse,

Não é possível estudar extensivamente e obter amplo conhecimento. Decida-se e simplesmente desista de tentar fazê-lo. Foque sua atenção em uma coisa. Estude as coisas que você tem que saber e os exemplos tradicionais delas. Siga o caminho de prática de seus predecessores. Concentre seus esforços em uma prática[1]. Não pretenda ser um professor ou um líder de outros.


[1]Escolher uma prática e se concentrar nela é uma característica do Budismo Japonês; zazen, para Dogen, recitar o nenbutsu, para Honen e Shinran, e o daimoku (recitar Namu-myoho-rengekyo) para Nichiren, etc.  

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> Shobogenzo Zuimonki (5) – Livro 1 Parte 4

Muitas pessoas no mundo querem ter uma boa reputação e ser apreciados não apenas pelos outros, mas também por si mesmos. Entretanto, nem sempre se fala bem delas ou as elogia. Se você gradualmente abandonar o apego ao ego e seguir os dizeres de seu professor, você progredirá. Se você retruca [fingindo] saber a verdade, mas permanece incapaz de abrir mão de certas coisas e continua a se apegar às suas próprias preferências, irá afundar mais e mais“.

Palavras chave: VERDADEIRA PRÁTICA; SHIKANTAZA; APEGO AO EGO; IMPERMANÊNCIA; AUTOAPERFEIÇOAMENTO; GANÂNCIA

LIVRO 1

1-4

Um dia Dogen disse,

Você deveria saber que se tivesse nascido em uma família que seguisse uma determinada ocupação ou se você tivesse entrado em um determinado caminho, você teria primeiro que se devotar a aprender o trabalho da família ou o caminho. Não é nada bom estudar algo que não tenha nada a ver com seu caminho ou especialidade.

Agora, uma vez que vocês deixaram suas casas e se juntaram à família de Buda e se tornaram monges, vocês deveriam aprender a prática do Buda. Aprender a prática e manter o Caminho é abandonar o apego ao ego[1] e seguir as instruções do professor. A essência disso é estar livre da ganância. Para colocar um fim na ganância, antes de qualquer coisa, você deve se separar do eu egocêntrico. Para se separar do eu egocêntrico, ver a impermanência é a principal exigência.

Muitas pessoas no mundo querem ter uma boa reputação e ser apreciados não apenas pelos outros, mas também por si mesmos. Entretanto, nem sempre se fala bem delas ou as elogia. Se você gradualmente abandonar o apego ao ego e seguir os dizeres de seu professor, você progredirá. Se você retruca [fingindo] saber a verdade, mas permanece incapaz de abrir mão de certas coisas e continua a se apegar às suas próprias preferências, irá afundar mais e mais.

Para um monge Zen, a atitude principal para o autoaperfeiçoamento é a prática de shikantaza. Sem considerar se você é esperto ou estúpido, você naturalmente melhorará se praticar zazen.


[1]Presumindo que exista um ego no corpo que é um composto temporal de vários elementos, pensando nele como sendo eterno ou substancial e apegando-se a ele. Egocentrismo. Esta é uma delusão fundamental. Nossa pratica é ver a ausência de ego e a impermanência de toda existência e viver nessa base sem desejos gananciosos. Concretamente, nossos desejos se manifestam na busca de fama e lucro. Isso é porque Dogen coloca ênfase na prática do darma de Buda apenas pelo bem do darma de Buda, sem esperar nenhuma recompensa, isto é, fama e lucro.

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> Shobogenzo Zuimonki (4) – Livro 1 Parte 3

Seja permitindo ou proibindo, todos os mestres antigos certamente tinham suas próprias deliberações profundas..

Palavras chave: PRECEITOS; VERDADEIRA PRÁTICA; REGRAS MONÁSTICAS

LIVRO 1

1-3

Em uma ocasião, Dogen disse,

Na assembleia do mestre Zen Bussho (Fuzhao)[1], havia um monge que, quando estava doente, queria comer carne[2]. O mestre permitiu que ele o fizesse. Uma noite, o mestre em pessoa foi à enfermaria e viu o monge doente comendo carne sob a fraca luz de uma lamparina. Um demônio estava agarrado à cabeça do monge, comendo a carne. Embora o monge pensasse que estava a colocando dentro de sua própria boca, não era ele, mas o demônio que estava comendo. Depois disso, sempre que um monge se sentia doente, o mestre autorizava que ele comesse carne, pois ele sabia que ele estava possuído por demônios.

Pensando sobre esta história, devemos cuidadosamente considerar se devemos autorizar isso ou não. Também na assembleia de Goso Hoen (Wuzu Fayan)[3] há o relato de um caso de consumo de carne. Seja permitindo ou proibindo, todos os mestres antigos certamente tinham suas próprias deliberações profundas.


[1]Bussho (Fuzhao) é o título honorífico de Setsuan Tokko (Zhuaan Deguan, 1121-1203), o professor de Musai Ryoha (Wuji Liaopai, 1149-1224). Musai era o abade do Monastério Tendo (Tiantong) quando Dogen foi para a China. Depois que Musai morreu, Tendo Nyojo (Tiantong Rujing) tornou-se o abade do monastério. Esta seçao não é encontrada na versão Choenji-bon do Zuimonki.  

[2]De acordo com terceiro preceito menor do Bonmokyo, comer carne é proibido para os Budistas mahayana porque rompe as sementes da grande compaixão.

[3] Goso Hoen (Wuzu Fayan, ?-1104). Um mestre Zen da linhagem Rinzai Chinesa. É dito que ele e seus descendentes estabeleceram a Prática de koans.