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Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (19) – Livro 1 Parte 18

Faça coisas boas em segredo enquanto as pessoas não estiverem vendo, e se você cometer um erro ou fizer algo ruim, confesse e se arrependa. Quando você age desta maneira, boas ações que você tenha feito em segredo terão recompensa, e ações errôneas serão reveladas e haverá arrependimento para que a punição possa se dissipar“.

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Em uma palestra vespertina, Dogen disse,

A maioria das pessoas no mundo quer se vangloriar de suas boas ações e acobertar suas más ações. Uma vez que esta estrutura mental vai contra as mentes das deidades invisíveis[1], suas boas ações permanecem sem recompensa, e suas más ações realizadas em segredo resultam em punição.  Consequentemente, elas concluem que não há recompensa para boas ações, e pouco mérito no buda-darma. Esta é uma falsa visão. Por certo devemos reexaminá-la. Faça coisas boas em segredo enquanto as pessoas não estiverem vendo, e se você cometer um erro ou fizer algo ruim, confesse e se arrependa. Quando você age desta maneira, boas ações que você tenha feito em segredo terão recompensa, e ações errôneas serão reveladas e haverá arrependimento para que a punição possa se dissipar. Portanto, benefícios naturalmente virão no presente e você terá certeza sobre o resultado futuro.

Uma vez, um certo leigo veio e perguntou: “Atualmente, embora as pessoas leigas façam ofertas aos monges e tomem refúgio no buda-darma, muitos infortúnios ocorrem; por esta razão, maus pensamentos surgiram e as pessoas pensam que não deveriam mais ter fé nos Três Tesouros. O que você pensa sobre isso? ”.

 Dogen respondeu: “A culpa não é dos monges nem do buda-darma e sim das próprias pessoas leigas. A razão é a seguinte. Por exemplo, eles reverenciam e fazem oferendas aos monges que observam os preceitos e comem de acordo com os regramentos (uma refeição antes do meio-dia) quando os outros estão olhando, mas negam oferendas a monges indecorosos que quebram os preceitos, bebem álcool e comem carne, julgando-os desprezíveis. Esta mente discriminatória e parcial vai totalmente contra o espirito de Buda. Por causa disso, sua fé e reverência são em vão e não há recompensa. Em várias partes dos textos de preceitos, há advertências contra esta estrutura mental. Você deveria fazer oferendas a qualquer monge independentemente de ele ter ou não qualquer virtude. Em especial, nunca julgue a virtude interior deles com base em sua aparência externa. Embora monges nesta era degenerada pareçam de tal modo estranhos em sua aparência externa, há piores mentes e ações. Portanto, sem discriminar entre bons e maus monges, respeite todos os discípulos de Buda, faça oferendas e se abrigue em um espírito de igualdade. Então você certamente estará de acordo com o espirito de Buda, e os benefícios serão vastos.

Do mesmo modo, considere as quatro frases, “ação despercebida, resposta despercebida; ação percebida, resposta percebida; (ação despercebida, resposta percebida; ação percebida, resposta despercebida) ”. Há também o princípio do karma e seu efeito nos três períodos de tempo; o karma retornando na vida presente, na próxima vida ou em alguma vida posterior.[2] Estude estes princípios atentamente”. 


[1] Deidades invisíveis tais como Deva-Brahma, Indra, os reis-dragões, Yama, etc. Originalmente, estas deidades são emprestadas do Hinduismo e de outras religiões. Budistas vieram a considera-las deidades protetoras do buda-darma.

[2] No Shobogenzo Sanjigo (O Karma dos três períodos de Tempo), Dogen comentou sobre este princípio do karma e seus efeitos: “Ao aprender e praticar o Caminho dos budas e ancestrais, desde o princípio, deveríamos estudar e clarificar este princípio do karma e seus efeitos nos três períodos de tempo. De outro modo, cairemos em falsas visões. Não apenas isso, nós também cairemos nos reinos do mal e sofreremos por um longo tempo.”

Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (18) – Livro 1 Parte 17

Seja até mesmo uma palavra que venha aos lábios sem querer, a fala inútil obstrui o Caminho. Mais ainda, a conversa lasciva excitará sua mente. Você deve ser muito cuidadoso. Sem forçar você mesmo a não usar tal linguagem, se você percebe que ela é ruim, você será capaz de melhorar gradualmente“.

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Em uma conversa variada, Dogen disse:

Homens e mulheres na sociedade laica, tanto jovens quanto idosos, com frequência passam tempo falando sobre coisas indecentes. Eles o fazem para entreter sua mente e iludir a si mesmos. Parece que a conversa vã entretém suas mentes e os distrai do tédio por um tempo. Monges, contudo, devem evitar completamente tal tipo de conversa.

Mesmo na sociedade laica, quando pessoas bem-educadas e sinceras discutem algumas questões sérias com a devida cortesia eles não se envolvem em tais conversas. Elas o fazem apenas quando estão embriagadas ou descontroladas. Desnecessário dizer que monges devem se preocupar apenas com o Caminho de Buda. Apenas alguns poucos monges excêntricos e imorais se envolvem em tal conversação indecente. Nos monastérios na China, uma vez que eles nunca se envolvem em conversas medíocres, eles não falam de tais assuntos. Em nosso país também, enquanto Eisai, Abade do Monastério Kenninji estava vivo, ninguém nunca ouvia esse tipo de conversa. Mesmo após sua morte, enquanto alguns de seus discípulos ainda estavam no monastério, não se falava sobre tais coisas. Mais tarde, nos últimos sete ou oito anos, os jovens monges algumas vezes entregam-se a conversa fiada. Isso é realmente vergonhoso. 

Nas Escrituras, está dito: “Embora ações vulgares e violentas possam algumas vezes fazer com que as pessoas despertem, a fala inútil obstrui o verdadeiro Caminho”. Seja até mesmo uma palavra que venha aos lábios sem querer, a fala inútil obstrui o Caminho. Mais ainda, a conversa lasciva excitará sua mente. Você deve ser muito cuidadoso. Sem forçar você mesmo a não usar tal linguagem, se você percebe que ela é ruim, você será capaz de melhorar gradualmente.