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Outras

> Zazen por…Shunryu Suzuki Roshi

“(…) Acho que entendo porque vocês praticam o zazen. A maioria de vocês está procurando algo. Vocês procuram o que é verdadeiro e real, porque já ouviram muitas coisas em que não podem acreditar. Vocês nem mesmo estão procurando algo que seja belo, porque descobriram que o belo, pode realmente não ser belo. É apenas uma superfície de alguma coisa ou um enfeite. Vocês também estão conscientes de como as pessoas podem ser hipócritas. Muitas pessoas que parecem ser virtuosas não propagam a gratidão real ou a mente alegre; assim, vocês não confiam nelas. 

Vocês não sabem em quem confiar ou em que tipo de ensinamento acreditar; assim, vem pra cá procurar alguma coisa. Não posso dar-lhes o que estão procurando, porque eu mesmo não acredito em nada em particular. Não digo que água é água ou que água é uma jóia, uma casam fogo ou sangue. Como Dogen Zenji afirmou, a água é mais do que isso. Podemos querer nos fixar sempre na retidão, beleza, verdade ou virtude, mas não é sábio procurar alguma coisa desse modo. Há algo a mais”

“Buscar um grande ensinamento como o budismo é procurar algo bom. O que quer que encontrem, será como um turista em busca de belas paisagens. Ainda que não esteja viajando em seu carro, você estará procurando coisas belas espiritualmente: “Áh, que belo ensinamento. Esse é um ensinamento realmente verdadeiro!”. Ser um turista à procura de belas paisagens é um dos perigos da prática do zen. Cuidado! Ficar cativado pelo ensinamento não ajuda em nada. Não se deixe enganar pelas coisas, quer seja algo bonito, quer seja algo que pareça verdadeiro (…)”

O segredo de soto zen envolve apenas estas palavras: “NEM SEMPRE É ASSIM”… Esse é o segredo do ensinamento. Pode ser assim, mas nem sempre é assim. Sem se deixar prender pelas palavras ou regras, sem muitas idéias preconcebidas, realmente fazemos algo, e ao fazer alguma coisa, aplicamos nossos ensinamentos (…)

(…) Quando são suficientemente corajosos para aceitar o que se passa ao redor, sem ponderar o que é certo ou errado, o ensinamento transmitido o ajudará”…

Excerto do capítulo “Nem Sempre é assim”, do livro “Nem sempre é assim”, de S. Suzuki Roshi.

Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (22) – Livro 1 Parte 21

“(…) mesmo que [algumas pessoas] levem adiante práticas árduas e dolorosas sem se apegar a suas vidas corpóreas, se suas mentes ainda não tiverem entrado no Caminho de Buda e se elas decidirem não agir contra sua própria vontade mesmo que tais ações sejam o Caminho de Buda, elas ainda não abandonaram suas mentes.”

1-21

Dogen instruiu:

Alunos do Caminho, vocês devem ser bem cuidadosos em vários níveis ao abrirem mão de sentimentos mundanos. Abrir mão do mundo, abrir mão de sua família e abrir mão de seu corpo e mente. Considerem bem isso. Mesmo entre aqueles que se retiram do mundo e vivem isolados nas montanhas ou florestas, há alguns que temem que suas famílias, as quais têm continuado por muitas gerações, cessarão de existir, e ficam ansiosos por seus familiares ou parentes.

Embora algumas pessoas tenham deixado seus lares e abandonado suas famílias ou propriedades, elas ainda não abandonaram seus corpos se consideram que não poderiam fazer nada fisicamente doloroso e se evitam praticar algo que possa causar enfermidade, mesmo sabendo que isso é o Caminho de Buda.

Além do mais, mesmo que elas levem adiante práticas árduas e dolorosas sem se apegar a suas vidas corpóreas, se suas mentes ainda não tiverem entrado no Caminho de Buda e se elas decidirem não agir contra sua própria vontade mesmo que tais ações sejam o Caminho de Buda, elas ainda não abandonaram suas mentes.

Outras

> Zazen por… Kosho Uchiyama Roshi

“Embora estejamos quase sempre vivendo baseados na delusão, não pensamos que nossos pensamentos sejam delusórios; vivemos sem mesmo considerar esta possibilidade. Por quê? Porque estamos completamente imersos em pensamentos delusórios, nós os tratamos como se fossem reais. Quando fazemos zazen e sossegamos, nós vemos claramente como somos dominados pela delusão.

Zazen é de fato a postura de “Deus, seja misericordioso comigo, um pecador! ” (Lucas 18:13). No nosso zazen, percebemos a natureza ilusória dos pensamentos e não importa o quão poderosos eles possam ser, nós não corremos atrás deles, não tentamos nos livrar deles nem agir de acordo com eles.

Então, zazen é a postura de “Nós sabemos que nosso antigo eu foi crucificado com ele” (Romanos 6: 6) ou“ Eu fui crucificado com Cristo” (Gálatas 2:19). No final das contas, zazen é a expressão mais pura de “Fique quieto e saiba que eu sou Deus!” (Salmos 46:10).  

Quando Dogen Zenji intitulou seu manual de zazen “Recomendação Universal do Zazen”, ou Fukanzazengi, ele expressou a natureza de sua prática de zazen como uma religião verdadeira e universal, ao invés de uma prática destinada a produzir um número seleto de uma elite iluminada”.

Excerto retirado do livro “The Zen Teaching of Homeless Kodo”.