Outras

> Shobogenzo Zuimonki – atualização semanal!

“O Shobogenzo Zuimonki consiste em palestras sobre o darma de Eihei Dogen Zenji (1200 – 1253), que fez a transmissão da Soto Zen da China para o Japão. Essas palestras foram originalmente registradas por Koun Ejo Zenji, sucessor do darma de Dogen e, provavelmente, editadas por seus discípulos depois da morte de Ejo”.

Toda semana, aqui em nosso site, publicaremos um capítulo especialmente traduzido pela Sanga do Zendo Curitiba.

Zazen

> Sesshin e a ‘prática coletiva da prática individual’

É impossível conseguir sozinha

Shundo Ayoama Roshi

Frequentemente estou no Nisôdô, Mosteiro Feminino de Nagoia. No início de cada mês, realizamos um sesshin (retiro zen budista) de três a cinco dias. São vários períodos, que chegam a somar 14 horas diárias de zazen.

No mês passado, uma senhora que nunca havia praticado zazen participou do sesshin. Eu estava muito preocupada, mas ela conseguiu aguentar até o final, a custa de muitas lágrimas e dentes cerrados.

Quando o taiko (tambor) que assinalava o fim do sesshin ressoou no zendo, as lágrimas transbordaram de sua face. E, no chá que tomamos ao final do retiro, ela disse, repleta de felicidade: “Só consegui graças a ajuda de todas. Sozinha, eu nao conseguiria ficar nem uma hora sentada”. Todas as praticantes que estavam lá assentaram com a cabeça.

Pode ser impossível praticar zazen durante um dia, ou até mesmo por uma hora. Mas, ao fazê-lo com outras pessoas, é possível reunir forças para praticar durante cinco dias.

Diz-se que ‘o zazen é a prática coletiva da prática individual’. Com efeito, ninguém é capaz de fazer zazen por você e também é impossível ajudar alguém a fazê-lo. Cada um está completamente só ao se sentar voltado para a parede branca ou, ainda, para dentro de si mesmo, em silenciosa meditação. Mas, com a prática em grupo, um treinamento impossível de ser finalizado por uma pessoa sozinha pode se transformar em algo totalmente realizável. Uma pessoa ganha a força de cinco, dez pessoas ao praticar em grupo.

“O treinamento pode em muito impulsionado pela força do grupo”, reza o ditado. Graças aos bons amigos, às boas amigas, é possível multiplicar a própria força e expandir seu mundo”. 

Capítulo “Tenha bons amigos”, do livro ‘A coisa mais preciosa da vida’.  

ROHATSU SESSHIN ON-LINE

De 1º a 8 de dezembro
Participação integral ou parcial.
Valor único: R$200,00

INSCREVA-SE AQUI

“De 1º a 8 de dezembro, todos os anos, celebramos o Rohatsu Sesshin – Retiro do Despertar de Sidarta Gautama. Durante sete dias e sete noites nos manteremos em Nobre Silêncio e em Zazen (meditação sentada), como Buda o fez há mais de 2.600 anos. Trata-se do retiro mais longo e mais importante da nossa tradição Soto Zen Shu.

No contexto da Pandemia do Coronavírus estaremos realizando, pela primeira vez, o Rohatsu Sesshin totalmente on-line. Organize-se para praticar conosco. Estaremos unindo vários professores das Sangas de São Paulo, Ribeirão Preto, São Leopoldo e Rio de Janeiro.
Participe e desperte.”

Monja Coen Roshi

SAIBA MAIS:

O que é um sesshin?

Sesshin e a força do grupo

Rohatsu Sesshin, por Monja Kokai

Textos e Sutras, Zazen

> Zazen por… Bernie Glassman Roshi

“(…) Assim como começamos a preparar uma refeição limpando a cozinha, é útil começar o dia limpando nossa mente. No Zen Budismo, nós limpamos a mente pelo processo da meditação, ou zazen, o que literalmente significa “apenas sentar.”

Para mim, zazen é uma atividade como dormir, comer, beber e ir ao banheiro: se eu não cuidar destas funções naturais, eu sinto uma diferença em mim mesmo. Se eu não comer, por exemplo, começo a ficar com muita fome, e se eu não dormir, me sinto cansado. E se eu não sentar, minha estabilidade diminui, e eu me sinto descentrado.

Nós não praticamos para atingir a iluminação, assim como nós não comemos ou respiramos para estar vivos. Porque estamos vivos, nós respiramos. Porque estamos vivos, nós comemos. Porque somos iluminados, fazemos zazen. Dogen diz que zazen é a manifestação do estado iluminado. Nós praticamos e reconhecemos tudo que fazemos como uma manifestação do estado iluminado.

Os ingredientes básicos são muito simples:

Um espaço para meditar. Uma almofada ou cadeira sobre a qual meditar. E seu corpo e mente. Escolha uma hora do dia que suas chances de ser interrompido sejam mínimas – de manhã cedo, antes que a maioria das pessoas tenha acordado, por exemplo.

Ache um espaço que seja quieto, não muito escuro nem muito claro, onde você provavelmente não seja incomodado. Se necessário, feche a porta.

Torne o espaço esteticamente agradável. Dependendo do seu gosto, inclua uma imagem inspiradora, ou um objeto natural, tal como uma pedra ou flor bonita. Velas e incenso são opcionais também. Vista roupas soltas e confortáveis.

Assuma uma posição confortável. Costas eretas e sem tensão. Não se apóie contra a parede ou o encosto da cadeira. Coloque sua mão direita, com a palma para cima, no seu colo, e a mão esquerda, palma para cima, sobre a mão direita, polegares levemente se encostando. Esta posição é chamada o mudra cósmico e cria um ambiente tranqüilo para a mente.

Se você está sentando em uma cadeira, coloque seus pés bem apoiados no chão com os joelhos afastados aproximadamente quinze centímetros um do outro. Se você está sentando em uma almofada (um cobertor dobrado também pode funcionar bem), ajuste a altura da almofada de modo que ambos joelhos apoiem-se com firmeza no chão. O triangulo eqüilátero formado por esta posição proporciona apoio às costas e á coluna.

Deixe seus olhos semi-cerrados, repousando o olhar levemente em um ponto no chão a mais ou menos um metro à sua frente. Isto permitirá que os músculos de seus olhos relaxem enquanto você mantém um estado alerta da mente. Coloque a ponta da língua no palato, atrás dos dentes frontais superiores. Mantenha a boca fechada e respire através do nariz. Concentre-se na respiração. Perceba a inalação e exalação. Enquanto inala, conte um. Enquanto exala, conte dois. Continue até 10, e então repita de um a dez novamente.

Quando pensamentos emergirem, deixe-os vir e passarem. Mantenha sua atenção na contagem. Quando notar que os pensamentos o distraíram e você perdeu a contagem, gentilmente retorne à contagem. Comece do número um novamente. Continue por um mínimo de dois a um máximo de trinta minutos. Repita diariamente – ou pelo menos uma vez por semana.

Acalmando o Lago

Quando falo sobre zazen, gosto de usar a metáfora da lua sobre o lago.

Nossos pensamentos e emoções são como as ondulações que interferem na superfície refletiva do lago, de forma que não conseguimos ver a lua. Claro que a lua está sempre lá, ainda que não possamos vê-la, e também é importante ver as ondulações. Mas nós ainda precisamos ver a lua claramente para saber que ela está lá.

Assim também ocorre na meditação, pois quando deixamos as ondulações de nossos pensamentos e as ondas de nossas emoções se estabilizarem, é como se nós tivéssemos acalmado a superfície do lago e a lua pode aparecer”.

Em: Instruções ao Cozinheiro. Ensinamentos de um Mestre Zen sobre viver uma vida com sentido. Bernard Glassman & Rick Fields. Bell Tower – New York