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> Sesshin e a ‘prática coletiva da prática individual’

É impossível conseguir sozinha

Shundo Ayoama Roshi

Frequentemente estou no Nisôdô, Mosteiro Feminino de Nagoia. No início de cada mês, realizamos um sesshin (retiro zen budista) de três a cinco dias. São vários períodos, que chegam a somar 14 horas diárias de zazen.

No mês passado, uma senhora que nunca havia praticado zazen participou do sesshin. Eu estava muito preocupada, mas ela conseguiu aguentar até o final, a custa de muitas lágrimas e dentes cerrados.

Quando o taiko (tambor) que assinalava o fim do sesshin ressoou no zendo, as lágrimas transbordaram de sua face. E, no chá que tomamos ao final do retiro, ela disse, repleta de felicidade: “Só consegui graças a ajuda de todas. Sozinha, eu nao conseguiria ficar nem uma hora sentada”. Todas as praticantes que estavam lá assentaram com a cabeça.

Pode ser impossível praticar zazen durante um dia, ou até mesmo por uma hora. Mas, ao fazê-lo com outras pessoas, é possível reunir forças para praticar durante cinco dias.

Diz-se que ‘o zazen é a prática coletiva da prática individual’. Com efeito, ninguém é capaz de fazer zazen por você e também é impossível ajudar alguém a fazê-lo. Cada um está completamente só ao se sentar voltado para a parede branca ou, ainda, para dentro de si mesmo, em silenciosa meditação. Mas, com a prática em grupo, um treinamento impossível de ser finalizado por uma pessoa sozinha pode se transformar em algo totalmente realizável. Uma pessoa ganha a força de cinco, dez pessoas ao praticar em grupo.

“O treinamento pode em muito impulsionado pela força do grupo”, reza o ditado. Graças aos bons amigos, às boas amigas, é possível multiplicar a própria força e expandir seu mundo”. 

Capítulo “Tenha bons amigos”, do livro ‘A coisa mais preciosa da vida’.  

ROHATSU SESSHIN ON-LINE

De 1º a 8 de dezembro
Participação integral ou parcial.
Valor único: R$200,00

INSCREVA-SE AQUI

“De 1º a 8 de dezembro, todos os anos, celebramos o Rohatsu Sesshin – Retiro do Despertar de Sidarta Gautama. Durante sete dias e sete noites nos manteremos em Nobre Silêncio e em Zazen (meditação sentada), como Buda o fez há mais de 2.600 anos. Trata-se do retiro mais longo e mais importante da nossa tradição Soto Zen Shu.

No contexto da Pandemia do Coronavírus estaremos realizando, pela primeira vez, o Rohatsu Sesshin totalmente on-line. Organize-se para praticar conosco. Estaremos unindo vários professores das Sangas de São Paulo, Ribeirão Preto, São Leopoldo e Rio de Janeiro.
Participe e desperte.”

Monja Coen Roshi

SAIBA MAIS:

O que é um sesshin?

Sesshin e a força do grupo

Rohatsu Sesshin, por Monja Kokai

> “Pratique e busque o Caminho com os outros”

“Reflita sobre o fato de alguém ter compreendido o Caminho ao ouvir o som do bambu; que outro teve a Mente clarificada ao vislumbrar flores de pêssego desabrochando. Como poderia ser possível diferenciar árvores de bambu inteligentes das tolas, ou as deludidas das iluminadas? Como poderia haver superficiais ou profundas, sábias ou tolas entre as flores? As flores desabrocham todos os anos, mas nem todas as pessoas alcançam a iluminação ao vê-las. As pedras freqüentemente atingem o bambu, ainda assim nem todos que ouvem o som têm o Caminho clarificado.

Apenas como resultado de um longo estudo e da prática contínua, pautado em um esforço diligente no Caminho, é que alguém compreende o Caminho ou clarifica a Mente. Isso não ocorreu porque o som do bambu foi especialmente maravilhoso, nem porque a cor das flores de pêssego foi particularmente profunda. Embora o som do bambu seja maravilhoso, ele não soa por si só; ele ressoa com o auxílio de um pedaço de telha. Embora a cor das flores de pêssego seja linda, elas não desabrocham por si mesmas; elas abrem com a ajuda da brisa da primavera.

Praticar o Caminho também é assim. Este Caminho está inerente em cada um de nós; ainda assim, a conquista do Caminho depende da ajuda de co-praticantes. Embora cada pessoa seja brilhante, nossa prática do Caminho ainda precisa do poder de outras pessoas [na sanga]. Portanto, enquanto você unifica sua mente e concentra sua aspiração, pratique e busque o Caminho junto com os outros”.

Mestre Dogen

 

Acesse o texto completo : Livro 4 – Parte 5 de SHOBOGENZO ZUIMONKI. Palestras de Eihei Dogen Zenji, registradas por Koun Ejo (tradução: Mui Leticia Rothen Sato/Revisão: Rucei Luci Collin). 

 

 

nehan sesshin

O que é um sesshin?

“Sesshin quer dizer unificar, tocar, conectar, harmonizar a mente. Pode também significar penetrar a mente. Mas a que mente se refere? Não é apenas a minha, a sua, mas a mente do universo. Conectar-se, harmonizar-se, tocar a mente universal. Transmitir, receber, manter a mente imensa, onde tudo e todos estão incluídos. Unificar-se com a mente da imensidão.

Mestre Eihei Dôgen escreveu:

A mente são as montanhas, os rios, as árvores e a grama. A mente é o sol, a lua e as estrelas.

Outra interpretação do termo seria controlar ou penetrar a sua própria mente consciente. Conhecer a mente, ver com clareza. Discernir com sabedoria-Buda. É uma prática mais quieta, calma e assentada. Penetrando a essência da mente individual, percebemos que, de qualquer maneira, já estamos unidos com tudo o que existe.

O sesshin é uma tentativa de ver através das ilusões e delusões – surgindo e desaparecendo – e reconhecer o que é a existência. Durante esse período, nos concentramos de algumas formas específicas, acalmando ou tornando a consciência tranquila, permitindo, assim, que os fatos se reflitam com claridade.

É uma oportunidade de verdadeira concentração para realizar quem somos, o que somos de fato, para o aprofundamento e a clarificação do Caminho de Buda. Acordar (shinrei), ir ao banheiro (tossu), lavar o rosto, zazen, kinhin, entoar sutras, ôryôki, samu, tenzô, teishô, dokusan, dormir – tudo é sesshin, uma prática de 24 horas.

Os sesshins podem durar um só dia, um fim de semana, três, cinco dias ou uma semana inteira. Esse é o procedimento tradicional da Sôtô Shû. Há grupos de praticantes na Europa e nos Estados Unidos que fazem sesshins mais longos, chegando até mesmo a 30 dias. Mas são exceções.

Os períodos de zazen variam entre 30 e 45 minutos, dependendo do grupo. São intercalados pela meditação andando (kinhin), que dura, no máximo, dez minutos. Pode haver até 15 períodos de zazen por dia. Esteja preparada(o). Pela manhã, quando o sino de despertar tocar (shinrei), levante-se, guarde as roupas de dormir, vá ao banheiro (tossu), lave o rosto, escove os dentes, preparando-se para começar um dia de zazen.

Cinco minutos antes do início do primeiro período, todos os praticantes devem estar sentados em seus respectivos lugares. Geralmente há dois períodos de zazen antes da leitura de sutras da manhã. “Entoar com os ouvidos” é uma expressão dos praticantes zenbudistas, que significa harmonizar a sua voz com a do grupo, sem sobressair nem se omitir. É dessa forma que os sutras são entoados.

Em seguida, a refeição da manhã – esta, bem como o almoço, é sempre feita na sala de zazen, na postura de zazen, utilizando um conjunto de pequenas tigelas chamado ôryôki. Há todo um procedimento adequado, com a entoação da Invocação das Refeições e pessoas que servem os alimentos. O silêncio é mantido.

Na cozinha, o tenzô (pessoa responsável pelo cardápio, pela escolha e pela preparação dos alimentos) é um praticante experiente, capaz de estar em profunda prática da não dualidade durante todo o sesshin.

Depois da refeição da manhã, todos são convidados a participar do samu – limpeza de banheiros, salas, cozinha, jardins. O zazen recomeça e, durante esse período, a mestra ou o mestre pode transmitir ensinamentos do Darma, chamados de teishô.

Depois de três períodos de zazen, intercalados por kinhin, há o almoço formal. Um pequeno descanso e zazen novamente. Outros dois períodos de zazen e é servido chá (gyôcha), bebido na sala de zazen – cada pessoa sentada em seu lugar e de maneira formal.

Seguem-se outros períodos de zazen, intercalados por kinhin. Pode haver dokusan (entrevista individual com a mestra ou o mestre para clarificar aspectos dos ensinamentos e da prática) durante os períodos de zazen.

No final da tarde, entoa-se outro sutra e há uma refeição informal, chamada yakuseki (a pedra da cura). À noite, outros dois ou três períodos de zazen, antes de todos irem dormir.

Kaitchin é quando as luzes são apagadas. Todos devem estar na cama. Dormir é considerado um período de zazen. Durante todo o sesshin, mantemos o nobre silêncio e os olhos baixos.

Sesshin é viver a vida de Buda. Funcionar de acordo com o Darma e perceber a inseparabilidade da unidade de toda a Sanga.”

FONTE: ZAZEN – A PRÁTICA ESSENCIAL DO ZEN.COMUNIDADE ZEN-BUDISTA DO BRASIL. COORDENAÇÃO: MONJA COEN

Nehan Sesshin 

“15 de fevereiro comemora-se a Morte e Parinirvana de Shakiamuni Buda. Ele faleceu perto da cidade de Kushinagara, norte da India.

Uma grande pintura (em forma de pergaminho) mostrando Buda entrando em Parinirvana é pendurada nos templos e uma cerimonia expressando gratidão a Buda é realizada. Diz-se que, no momento de sua morte, Buda estava dormindo em uma cama preparada entre duas árvores Sala. Sua cabeça para o norte, seu rosto para o oeste e sua mão direita fazendo as vezes de travesseiro. Naquele momento, flores brancas desabrocharam nas arvores Sala e caíram sem cessar. Muitos de seus discípulos, o rei e sua família, homens e mulheres de todas as idades, e mesmo pássaros e animais estavam reunidos, suspirando de tristeza.

Buda fez seu último discurso, expondo a verdade fundamental: mesmo que o corpo físico morra, o Darma é eterno, para que seja possível ver Buda, é preciso ver o Darma. Dessa forma, ele ensinou a seus discípulos sobre os preceitos e sobre como eles deveriam manter a prática do Caminho de Buda. Esse sermão chama-se Yuikyogyo, o Último Ensinamento de Buda Shakiamuni”.

 

FONTE:  APOSTILA DE PRECEITOS E PROCEDIMENTOS BUDISTAS (ZENDO BRASIL).