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> Shobogenzo Zuimonki (61) – Livro 3 Parte 13

(…) não evite praticar por medo de ser caluniado pelos outros. Ademais, aqueles que lhe caluniam ou que lhe elogiam não são necessariamente aqueles que penetraram e obtiveram a prática dos budas e ancestrais”.

LIVRO 3

3-13

Dogen também disse:

Estudantes do Caminho geralmente dizem que se fizerem tais e tais coisas, as pessoas do mundo irão reprová-las. Isso está totalmente errado. Mesmo que as pessoas critiquem você, se é a atividade dos budas e ancestrais, e está de acordo com os ensinamentos sagrados, você deveria continuar e praticá-la. Mesmo que as pessoas do mundo o elogiem, se não estiver prescrito nas escrituras sagradas e nem é o que os ancestrais fizeram, você não deve praticar isso. E o motivo é que, mesmo se as pessoas no mundo, sejam elas íntimos ou estranhos, elogiem ou critiquem você, e você siga as opiniões delas, quando você encarar a morte e cair nos reinos maus, empurrado por suas próprias ações más, nenhum deles poderá salvá-lo. Além disso, mesmo que você seja reprovado e odiado por todos, se você pratica confiando unicamente no Caminho dos budas e ancestrais, você certamente será salvo. Então, não evite praticar por medo de ser caluniado pelos outros. Ademais, aqueles que lhe caluniam ou que lhe elogiam não são necessariamente aqueles que penetraram e obtiveram a prática dos budas e ancestrais. Como é possível julgar o Caminho dos budas e ancestrais por meio de valores mundanos de bem e mal?

Portanto, não dependa de sentimentos de pessoas mundanas. Se uma ação deve ser levada adiante de acordo com o Caminho de Buda, pratique-a incondicionalmente.

> Shobogenzo Zuimonki (60) – Livro 3 Parte 12

Eu passei mais de dez anos sem nenhuma posse e nunca me preocupei em como obtê-las. Pensar em acumular, mesmo que seja um pouco de riqueza, é um grande obstáculo. Sem pensar em como obter ou armazenar coisas você irá, de modo natural, receber tanto quanto precise para se manter vivo por um tempo. Cada pessoa tem sua quota atribuída; o céu e a terra nos concedem essa cota. Mesmo que você não corra por aí procurando, você irá recebê-la, com certeza.”.

LIVRO 3

3-12

Um monge disse:

“Nos monastérios na China,  uma vez que existem provisões pertencentes à sanga que compõem a propriedade permanente do templo e são usadas para apoiar a prática dos monges, os monges não precisam se preocupar com seu sustento. Como não há tais coisas neste país, abandonar todas as posses se tornará um obstáculo à prática do Caminho. Acredito que é uma boa ideia ter pessoas que ofereçam roupas e alimentos em apoio à nossa prática. O que lhe parece?”

Dogen respondeu:

“Eu discordo. Diferente da China, às vezes as pessoas neste país apoiam monges além do que é razoável, e oferecem coisas que estão além de suas possibilidades. Não posso falar sobre os outros, mas é isso que tenho verificado  e descobri que é verdade. Eu passei mais de dez anos sem nenhuma posse e nunca me preocupei em como obtê-las. Pensar em acumular, mesmo que seja um pouco de riqueza, é um grande obstáculo. Sem pensar em como obter ou armazenar coisas você irá, de modo natural, receber tanto quanto precise para se manter vivo por um tempo. Cada pessoa tem sua quota atribuída; o céu e a terra nos concedem essa cota. Mesmo que você não corra por aí procurando, você irá recebê-la, com certeza.

Desnecessário dizer, crianças do Buda receberão o legado do Tatagata; eles o obterão sem ter que procurá-lo. Estas coisas estarão naturalmente lá somente se você abandonar tudo e praticar o Caminho. Isso é uma prova evidente.”

> Shobogenzo Zuimonki (59) – Livro 3 Parte 11

Embora muitos leigos tenham aprendido o darma desde tempos antigos, mesmo aqueles conhecidos como bons praticantes não estavam à altura dos monges. Uma vez que os monges não possuem nenhum patrimônio, a não ser os três mantos e uma tigela, nunca se preocupam a respeito de onde irão morar, e não são gananciosos em relação a comida ou vestimenta, eles obterão benefícios à medida que se devotarem a aprender o Caminho de acordo com sua capacidade. Isso ocorre por que ser pobre é estar em proximidade com o Caminho”.

LIVRO 3

3-11

Certo dia um monge chegou e perguntou sobre o que se deve ter cuidado ao aprender o Caminho. Dogen respondeu:

“Antes de qualquer coisa, uma pessoa que estuda o Caminho deve ser pobre. Se você possui grande riqueza, com certeza perderá a aspiração.

Se um leigo que está aprendendo o Caminho ainda se apega a riqueza, cobiça moradia confortável, e se mantém na companhia de parentes, mesmo tendo a aspiração, irá se confrontar com muitos obstáculos no aprendizado do Caminho.

Embora muitos leigos tenham aprendido o darma desde tempos antigos, mesmo aqueles conhecidos como bons praticantes não estavam à altura dos monges. Uma vez que os monges não possuem nenhum patrimônio, a não ser os três mantos e uma tigela, nunca se preocupam a respeito de onde irão morar, e não são gananciosos em relação a comida ou vestimenta, eles obterão benefícios à medida que se devotarem a aprender o Caminho de acordo com sua capacidade. Isso ocorre por que ser pobre é estar em proximidade com o Caminho.

Hoon[1] era um leigo, mas não era inferior aos monges; seu nome permaneceu entre os praticantes Zen. Quando começou a aprender o Zen, ele pegou todas as posses de sua família e estava prestes a jogá-las no mar. As pessoas tentaram dissuadi-lo dizendo, “Você deveria dar a outros ou usá-las pelo bem do Budismo.”

Ele respondia, “Estou as jogando fora porque acredito que elas são prejudiciais. Uma vez que acredito que são prejudiciais, como posso dá-las a outras pessoas? Riqueza é um veneno que faz adoecer tanto corpo quanto mente.”

No fim, ele as jogou no mar.

Depois disso, ele fazia cestas de bambu e as vendia para viver. Embora fosse um leigo, por ter abandonado sua riqueza, as pessoas o consideravam uma boa pessoa. E tão mais deveria um monge completamente desistir da riqueza.”


[1] Hoon (?–808), discípulo leigo de Baso Doitsu.