Textos e Sutras, Zazen

ZAZEN 25

“Quando praticamos juntos, esquecemos nossa própria prática. É a prática individual de cada um, mas também é a prática do outro.

(…) Quando estamos praticando os cânticos, dizemos: “Recitem o sutra com seus ouvidos”. Então, com nossos ouvidos ouvimos os outros, enquanto que com nossas bocas praticamos nossa própria prática.

Nesse caso, temos total ausência de egoísmo no sentido verdadeiro (…)”

Capítulo “Observando os preceitos”, do livro Nem Sempre é Assim, de S. Suziki.

 

Textos e Sutras, Zazen

ZAZEN 24

“Na nossa prática de zazen, paramos de pensar e estamos livres da nossa atividade emocional. Não dizemos que não há atividade emocional, mas estamos livres dela. Não dizemos que não há pensamento, mas nossa atividade de vida não fica limitada pela nossa mente pensante. Em resumo, podemos dizer que acreditamos em nós mesmos totalmente, sem pensar, sem sensações, sem discriminar entre bem e mal, o certo e o errado. Por nos respeitarmos, por botarmos fé em nossa vida, sentamos. Essa é nossa prática. 

Quando nossa vida se basear em respeito e completa confiança, será uma vida completamente pacífica. O nosso relacionamento com a natureza também deveria ser assim. Devemos respeitar tudo e podemos praticar o respeito pelas coisas do mesmo modo como nos relacionamos com elas. 

(…) Se acharmos que é fácil praticar porque  temos um belo edifício, isso será um engano. Na realidade, talvez seja bem difícil praticar com um espírito forte nesse tipo de ambiente onde há um belo Buda e oferecemos belas flores para decorar o hall de Buda. Nós, zen budistas, temos um ditado: com uma folha de capim, criamos um Buda de ouro de quase cinco metros de altura. Esse é nosso espírito; portanto, precisamos praticar o respeito pelas coisas”.

(…) Embora ver um grande Buda dourado num grande Buda dourado seja mais fácil, quando você vê um grande Buda numa folha de capim, sua alegria será algo especial”…

ImagemExcerto de texto lido no zazen de 11/08. Capítulo “O Respeito pelas coisas”, do livro Nem Sempre é assim, de Shunryu Suzuki

Textos e Sutras, Zazen

ZAZEN 23

“Se não conseguirmos obter uma grande e calorosa satisfação na nossa prática, ela não será verdadeira. Ainda que você se sente, tentando manter a postura correta e procurando contar sua respiração, talvez ainda assim se trate de zazen sem vida, porque você está apenas seguindo as instruções. Você não está sendo amável consigo mesmo. Você acha que se seguir as instruções dadas por algum professor, fará um bom zazen, mas o propósito das instruções é encorajá-lo a ser amável consigo mesmo. Não conte sua respiração apenas para evitar sua mente pensante, mas sim para cuidar de sua respiração da melhor maneira possível.

(…) As nossas regras monásticas se baseiam em mentes amáveis, afetuosas. A idéia é não restringir sua liberdade, mas lhe dar liberdade de se comportar e agir do seu próprio modo. Não é tão importante assim seguir as regras literalmente. Na verdade, se você infringir a regra de vez em quando, saberemos o que há de errado com você e seu professor, sem criticá-lo, talvez seja capaz de ajudá-lo mais corretamente. É assim que você melhora sua prática com o objetivo de ter um bom controle sobre seus desejos e sobre seu dia-a-dia. Então, você alcançará uma grande liberdade em relação a tudo. Essa é a finalidade de nossa prática, tanto para os monges como para os leigos”.

Lido no zazen do dia 04/08 . Capítulo “Sejá amável consigo mesmo” do livro “Nem sempre é assim”, de Shunryu Suzuki.