> Costura da Okesa – o manto de Buda

Na edição trimestral Jul/Ago/Set do Jornal Zendo Brasil, foram publicados dois textos produzidos pelo Zendo Curitiba: a tradução do capítulo inicial do livro de Tomoe Katagiri, intitulado “Nyoho-e, Costurando o Manto de Buda” e um texto reflexivo sobre o tema, abordando alguns significados do “Verso da Okesa” linha por linha.

Estes textos são uma base de apoio para todos aqueles que pretendem assumir os Votos do Bodisatva, tornando-se oficialmente Zen Budistas.

Pois, para tanto, é necessário que o praticante costure sua própria okesa – uma túnica retangular remendada que circunda o corpo, feita e usada tal como os monges faziam desde a época do Buda.

Praticantes leigos costuram o rakusu, uma versão em miniatura da okesa, costurado pelo próprio aluno com permissão de seu professor, seguindo os mesmos princípios de costura da okesa – seleção do material, cor e forma de cortar, exceto com relação ao tamanho.

O processo de costura também é considerado uma prática na medida em que segue os princípios tradicionais nyoho e.

Nyo é usado como “o tal como é” no sentido de mostrar a lei ou verdade como ela realmente é. Ho significa lei, verdade ou o ensinamento de Buda ou princípio. E significa manto, roupas.

Nyoho e significa então que a lei ou o ensinamento do Buda é representado tal como verdadeiramente é por meio das roupas ou manto de alguém. O ensinamento sem forma de Buda está contido na forma e contorno da okesa.

Além de costurá-lo, precisamos também receber o rakusu da maneira correta, por meio da cerimônia de recebimento e da cerimônia de preceitos (Jukai), e depois tratá-lo da mesma forma que tratamos uma okesa.

Herança

Embora costurar o manto Budista seja uma prática antiga, houve um movimento relativamente recente no Japão chamado fukudenkai (“assembleia do campo de mérito”) de grupos de costura do manto, incluindo monges e leigos, homens e mulheres, que visava reconectar-se a aspectos da pratica tradicional budista.

Tal movimento teve sua expansão com Sawaki Roshi (1880-1965) e Hashimoto Eko Roshi (1890-1965). Suas interpretações sobre a visão de Mestre Dogen a respeito do manto foram implementadas e expandidas por seus discípulos e se tornaram a fundação para a prática da costura do manto como uma parte integral da prática Budista. Os alunos de Sawaki Roshi, inclusive, foram responsáveis por estender a prática da costura de mantos para praticantes leigos e expandiram os grupos de zazen e costura do manto por várias cidades do Japão. 

Em maio de 1971, o nyoho-e foi trazido para os Estados Unidos, mais precisamente para o San Francisco Zen Center, por uma das alunas de Hashimoto Roshi,  Eshun Yoshida Roshi (1907-1982) que transmitiu o verdadeiro ensinamento do Buda conforme transmitido por Eko Hashimoto Roshi.

Naquela época, Tomoe Katagiri começou a prática de costura da okesa sob a orientação de Eshun Yoshida Roshi, de quem ela recebeu a okesa de sete tiras em 1980 em Kaizenji no Japão, onde Eshun Yoshida Roshi era abade. Tomoe Katagiri ensinou a costura nyoho da okesa e rakusu no Minnesota Zen Meditation Center e em outros centros Zen nos EUA e em outros países.

No Brasil, Monja Coen Roshi (a cuja linhagem pertencemos) deu o Jukai-e e ensinou a tradição Nyoho para mais de trezentas pessoas. Ordenada no Zen Center de Los Angeles, por Maezumi Roshi, no início dos anos 80, Monja Coen foi para o Japão onde ficou mais de 12 anos. Enquanto ela praticava no mosteiro de Aichi Senmon Nisodo, ela aprendeu a tradição Nyoho com Okamoto Shobun Sensei, um discípulo de Sawaki Kodo Roshi.

O principal guia de costura da okesa nyoho que chegou até nós é o livro “Estudo da Okesa, Nyoho-e, o Manto de Buda”, de Tomoe Kataguiri o. O capítulo 1, conceitual, foi traduzido pelo Zendo Curitiba mas o original (em inglês) com todas as etapas de costura e imagens encontra-se disponível no link: ​Study of the Okesa, Nyohō-e: Buddha’s Robe

VASTO É O MANTO DA LIBERTAÇÃO

SEM FORMA É O CAMPO DE BENEFÍCIOS

USO OS ENSINAMENTOS DO TATAGATA

PARA SALVAR TODOS OS SERES