Textos e Sutras, Zazen

Onde quer que você esteja, está a iluminação – ZAZEN 33

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“Em nossa prática, a coisa mais importante é constatar que temos a natureza de Buda. Intelectualmente, podemos saber disso. Entretanto, isso é difícil de aceitar. A nossa vida cotidiana se passa nos domínios do bem e do mal, no campo da dualidade, enquanto a natureza de Buda se encontra nos domínios do absoluto, onde não há o bem nem o mal. Há uma realidade duplicada. A nossa prática está em ir além dos domínios do bem e do mal e perceber o absoluto. Isso pode ser difícil de entender. (…)”

“(…) Ainda que você diga: “Eu tenha a natureza de Buda”, esse fato sozinho não é suficiente para fazer com que isso funcione. Se você não tiver um amigo ou uma sangha, não funcionará. Ao praticarmos com a ajuda da sangha, auxiliados por Buda, podemos praticar o zazen em seu verdadeiro sentido. Vamos ter uma luz brilhante no Zendo de Tassajara ou em nossa vida diária. 

“Naturalmente, ter uma suposta experiência da iluminação é importante. Entretanto, o mais importante é saber como ajustar a chama do zazen em nossa vida diária. Se a chama estiver fumacenta, você sentirá o cheiro de algo. Poderá perceber que ela é uma lamparina a querosene. Se sua vida estiver em combustão completa, você não terá razões de queixa e não haverá necessidade de estar consciente de sua prática. Se você falar demais a respeito do zazen, já será uma lamparina a querosene fumacenta”. 

Excerto do capítulo “Onde quer que você esteja, está a iluminação”, do livro “Nem sempre é assim”, de S. Suzuki, lido no zazen de 03/11.

Textos e Sutras, Zazen

A prática sincera – ZAZEN 32

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“O que é a prática sincera? Quando não se é tão sincero, é difícil saber, mas quando se é sincero, você não consegue aceitar o que é superficial. Apenas quando você se tornar bastante sincero saberá do que se trata. É como apreciar a boa arte. Se você quer apreciar a boa arte, a coisa mais importante será ver o bom trabalho. Se você tiver visto uma boa quantidade de bons trabalhos, quando ver algo que não é tão bom, imediatamente saberá que não se trata de algo tão bom assim. Os seus olhos terão se tornado suficientemente perspicazes para ver”.

“Até mesmo o nome do budismo é uma mancha suja na nossa prática. O importante não é o ensinamento, mas o caráter e o esforço do aluno. O próprio fato de buscar a iluminação significa que sua mente não é suficientemente grandiosa. Você não está sendo sincero, pois tem um objetivo em seu estudo. E o desejo de realizar alguma coisa ou mesmo de propagar o budismo não é puro o bastante”. 

Do capítulo “Prática Sincera”, do livro Nem sempre é assim, de S. Suzuki, lido no zazen de 06/10.

Textos e Sutras, Zazen

ZAZEN 31 – O patrão de tudo…

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“(…) dizemos para praticar o zazen sem idéia de ganho, sem nenhum propósito. Deixem as coisas funcionarem do jeito que funcionam, apoiando tudo como se fossem suas próprias coisas. A prática real tem orientação ou direção, mas não há objetivo ou idéia de ganho. Desse modo, pode-se incluir tudo o que vier. Seja bom ou mau, não importa. Se algo ruim acontecer: “tudo bem, faz parte de mim”. E se alguma coisa boa acontecer: “tudo bem”. Por não termos nenhum propósito ou meta especial em nossa prática, não importa o que vai acontecer. 

Já que engloba tudo, podemos chamá-la de mente grandiosa. Seja o que for, está dentro de nós, e nós a possuímos, portanto, nós a chamamos de mente grandiosa (…). Ainda que eu fale a respeito de alguma coisa, não há propósito. Estou falando para mim mesmo porque você é parte de mim; portanto, não há propósito em minha conversa. Algo está acontecendo, é tudo. Acontece por causa da alegria real de compartilhar sua prática com tudo”. 

Parte do capitulo do livro Nem Sempre é assim, de S. Suzuki, lido no zazen de 29/09…