zazen…

suzuki rindo

“O zazen favorece um “alargamento da consciência e o desenvolvimento da intuição”. Não é uma prática que desloca o sujeito da vida e da história, mas provoca, antes, um adentramento singular em sua concretude. É uma técnica que possibilita atenção permanente, concentração viva sobre cada instante da vida”.

 

DESHIMARU, Taisen. Lo zen passo per passo. La pratica passo per passo. Roma: Ubaldini, 1981.

Mente de principiante

mente zen

(…) a coisa mais importante é manter sua “mente de principiante”. Não há necessidade de ter uma profunda compreensão do Zen. Mesmo que você leia muita literatura Zen, deve ler cada frase com uma mente virgem. Nunca deve dizer: “Eu sei o que é Zen” ou “eu atingi a iluminação”. O real segredo das artes também é esse: ser sempre um principiante. Seja muito cuidadoso nesta questão. Se começar a praticar zazen, você começará a valorizar sua mente de principiante. Este é o segredo da prática do Zen”*.

 

VENHA PRATICAR CONOSCO!

TODO SÁBADO

ZAZEN A PARTIR DAS 9h10 (chegar com 10 minutos de antecedência). GRUPO DE ESTUDOS A PARTIR DAS 10h30.

 

*S. Suzuki. Do livro “Mente zen, mente de principiante”, pg. 20.

 

Saber ouvir, saber falar…

“O mestre Dogen disse: “Quando você diz algo a uma pessoa, ela pode não aceitar, mas não tente convencê-la intelectualmente. Não discuta; apenas ouça as objeções até que a própria pessoa encontre algo errado nelas”. Isto é muito interessante. Não tente impor suas idéias a outro; em vez disso, reflita sobre elas com a própria pessoa. Se você sentir que ganhou a discussão, não está na atitude certa. Não tente ganhar a discussão, apenas ouça; entretanto, tampouco é certo agir como se a tivesse perdido. Em geral, quando dizemos alguma coisa, tendemos a doutrinar ou impor nossa idéia. Mas entre os estudantes do Zen não há propósito especial ao falar ou ouvir. Por vezes se ouve, outras se fala, eis tudo. É o mesmo que cumprimentar:”Bom dia!” Através desse tipo de comunicação podemos desenvolver nosso caminho”.

Suzuki, em Mente Zen, Mente de Principiante, pg. 87

As Ondas Mentais

ondas mentais

Por Shunryu Suzuki

Quando estiver praticando zazen, não tente deter seu pensamento. Deixe que ele pare por si mesmo. Se alguma coisa lhe vier à mente, deixe que entre e deixe que saia. Ela não permanecerá por muito tempo. Tentar parar o pensamento significa que você está sendo incomodado por ele. Não se deixe incomodar por coisa alguma.

Pode parecer que essa coisa vem de fora mas, na verdade, são apenas as ondas de sua mente e se você não se deixar incomodar por elas, gradualmente se tornarão mais e mais calmas. Em cinco ou dez minutos, no máximo, sua mente estará calma, serena. Sua respiração então se tornará mais lenta e a pulsação, um pouco mais acelerada. Leva um certo tempo até que a mente se acalme durante sua prática.

Surgem muitas sensações, muitos pensamentos ou imagens, mas são apenas ondas da própria mente. Nada vem de fora dela. Em geral, pensamos que nossa mente recebe impressões e experiências do exterior, mas isso não é uma compreensão correta da nossa mente. A verdade é que a mente inclui tudo; quando pensamos que algo surge de fora, isso quer dizer somente que algo surge na nossa própria mente. Nada exterior a si mesmo pode perturbá-lo. E você mesmo que cria as ondas da mente. Se deixar a mente como ela é, ela se tornará calma. Esta é a chamada mente grande.

Quando a mente está vinculada a algo fora dela própria, trata-se da pequena mente, uma mente limitada. Se sua mente não estiver vinculada a nada, então não haverá mais compreensão dualista na atividade de sua mente. Compreenderá que a atividade não é mais do que ondas da sua mente. A mente grande experimenta tudo dentro de si própria. Percebe a diferença entre ambas?

A mente que tudo inclui e a mente ligada a alguma coisa em particular? Na verdade, elas são a mesma coisa, a compreensão é que é diferente, e sua atitude perante a vida será diferente de acordo com a compreensão que você tiver. Que tudo esteja incluído na mente é a essência da mente; e a experiência disto é a posse do sentimento religioso. Embora as ondas surjam, a essência da sua mente é pura, como água clara com poucas ondas. Na verdade, a água tem sempre ondas. Elas são a prática da água. Falar de ondas separadas da água, ou da água separada das ondas, é uma ilusão. Água e ondas são uma só coisa. A grande e a pequena mente são uma só.

Quando você entender sua mente desta maneira, terá alguma segurança em seus sentimentos. Como sua mente nada espera de fora, ela está sempre completa. Uma mente com ondas não é uma mente perturbada e sim ampliada. Qualquer coisa que você experimente é uma expressão da mente grande. A atividade da mente grande é ampliar a si mesma através das diversas experiências. Em certo sentido nossas experiências, ocorrendo uma a uma, são sempre frescas e novas, mas em outro sentido não passam de um contínuo e repetitivo desdobramento da mente grande.

Por exemplo, se há algo bom para o desjejum, você dirá “isto é bom”. O “bom” provém de alguma coisa experimentada há tempos, ainda que você não lembre quando. Com a mente grande, nós aceitamos cada experiência do mesmo modo que reconhecemos a face que vemos no espelho como a nossa própria face. Para nós, praticantes, não existe o medo de perder essa mente.

Não há qualquer lugar, nem para onde ir, nem de onde voltar; não existe medo da morte, do sofrimento da velhice ou da doença. Uma vez que desfrutamos todos os aspectos da vida como um desdobramento da mente grande, não precisamos ir em busca de uma alegria excessiva. Assim, nossa serenidade é imperturbável, e é com essa imperturbável serenidade da mente grande que praticamos zazen.

Capítulo de “Mente Zen, Mente de Principiante”

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑