> Shobogenzo Zuimonki (44) – Livro 2 Parte 22

“(…) Apenas percebam que prática e estudo em si mesmos são o buda-darma. Sem buscar nada, abstenha-se de se envolver em assuntos mundanos ou coisas más mesmo que você tenha uma mente disposta a tal. Não pense sobre, nem odeie o tédio da prática do Caminho. Apenas pratique sinceramente. Pratique sem nem mesmo buscar a completude do Caminho ou a obtenção do resultado. Esta atitude está de acordo com o princípio do não-buscar.

LIVRO 2

2-22

Certa ocasião, alguém perguntou,

            “Como você se sente a respeito da seguinte perspectiva? E se, depois de ouvir que seu próprio eu é o buda-darma e que é fútil buscar qualquer coisa fora de si mesmo, um estudante acreditasse profundamente nisso, abrisse mão de praticar e estudar e passasse toda a sua vida fazendo o bem e o mal de acordo com sua natureza?

Dogen pensou e disse:

            “De acordo com essa perspectiva, as palavras e a realidade de uma pessoa são contraditórias. Abrir mão da prática e abandonar o estudo devido à futilidade de buscar alguma coisa fora de si, soa como algo que está sendo procurado através do ato de abrir mão. Isso não é não-buscar.

            Apenas percebam que prática e estudo em si mesmos são o buda-darma. Sem buscar nada, abstenha-se de se envolver em assuntos mundanos ou coisas más mesmo que você tenha uma mente disposta a tal. Não pense sobre, nem odeie o tédio da prática do Caminho. Apenas pratique sinceramente. Pratique sem nem mesmo buscar a completude do Caminho ou a obtenção do resultado. Esta atitude está de acordo com o princípio do não-buscar.

            Quando Nangaku (Nanyue)[1] polia uma telha para torná-la um espelho, ele estava repreendendo Baso por sua busca de se tornar um Buda. Ainda assim, ele não impediu que Baso sentasse em zazen. Sentar em si é a prática do buda. Sentar em si mesmo é não-fazer. Não é nada mais do que a forma verdadeira do Eu. Além de sentar, não há nada a procurar como sendo o buda-darma.”


[1] Quando Baso Doitsu (Mazu Daoyi, 701-788) estava sentado sozinho em um eremitério, seu professor Nangaku Ejo (Nanyue Huirang, 677-744) o visitou e perguntou: “O que você pretende se tornar sentando zazen? ” Baso disse: “Tenho a intenção de me tornar um Buda.” Nangaku então pegou um pedaço de telha e começou a polir em uma pedra na frente da cabana. Baso perguntou: “Mestre, o que você está fazendo?” Nangaku respondeu: “Estou polindo a telha para fazer dela um espelho”. Baso disse: “Como você pode fazer um espelho polindo uma telha?” Nangaku respondeu: “Como você pode se tornar um Buda praticando zazen?”