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CARTA DE PRINCÍPIOS DO ZENDO CURITIBA

O Zendo Curitiba é uma organização religiosa nascida em 2010, fundada por Ryuzan e Mui Sato,  discípulos de Monja Coen Roshi. Seu objetivo é difundir os ensinamentos de Buda tal como transmitidos pela linhagem da escola japonesa Soto Shu, fundada por Mestre Eihei Dogen e difundida por Mestre Keizan Jokin a partir do seculo XII.

A base da nossa prática é o Zazen, que pode ser traduzido por “meditação sentada”. Através do zazen, observamos o funcionamento de nossa mente, procuramos contato com nosso eu verdadeiro e manifestamos a sabedoria e compaixão, essenciais para a realização do Caminho de Buda.

Observamos os quatro votos do Bodisatva, ser iluminado que abdica de sua iluminaçao a fim de ajudar a todos os seres para que atinjam a mesma iluminaçao.

Além do Zazen, nos apoiamos nos sutras e daranis como forma de penetrar os ensinamentos de Buda, nas cerimônias religiosas, nas palestras do Darma e cursos em geral. Realizamos traduções de obras importantes de nossa linhagem e estudamos os ensinamentos em grupo.

Como este não é um caminho individual e solitário, a comunidade de praticantes, ou Sanga, é considerada uma das três jóias do Budismo. Não apenas Buda e Darma, mas a jóia preciosa da Sanga que nos fortalece e nos permite ver a nós mesmos. Quando encontramos um obstáculo nos relacionamentos, devemos penetrar seu sentido e não nos afastarmos. Cada obstáculo é um portal de crescimento, amadurecimento e aprofundamento na prática.

Cada um de nós vem e trás seu pequeno corpo e mente para fazermos esforços juntos. É nossa intenção coletiva sermos capazes de trabalhar em harmonia e respeito, evitando falar dos erros alheios,  evitando elevar-se e rebaixar os outros, mas procurando o melhor em cada um para cooperar, cuidar e desenvolver as habilidades de receber e de celebrar a vida comunitária, que compartilha e acolhe com ternura e sabedoria plena de compaixão.

DIREITOS E DEVERES DOS MEMBROS ASSOCIADOS

Deveres…

…comprometer-se a uma vida de prática e participação nas atividades, comprometendo-se a avisar quando precisar se afastar temporariamente ou quando quiser se desligar da Sanga. Lembrar-se que tudo tem começo, meio e fim.

…colaborar com a prática da sanga e contribuir mensalmente com o valor que estiver a seu alcance, avisando caso não possa contribuir naquele mês.

Direitos…

…receber orientações individuais através dos nossos professores e professoras.

…frequentar os eventos regulares e cerimônias, virtuais e presenciais;

…descontos e/ou isenção em retiros, palestras e cursos;

…participar de e ser votado em assembléias (quando preceitado).

Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (76) – Livro 4 Parte 14

“(…) Mesmo que o prédio esteja em ruínas, ele certamente é um lugar melhor para praticar zazen do que o chão ou embaixo de uma árvore. Se um setor estiver quebrado e com vazamentos, devemos nos mudar para um onde não haja vazamentos para praticar zazen. Se os monges pudessem atingir a iluminação com a construção de um salão, deveríamos construir um de ouro e de joias. A iluminação não depende de a construção ser boa ou ruim; depende apenas de nossa diligência no zazen”.

LIVRO 4

4-14

Dogen instruiu:

Quando o Mestre Zen Hoe, do Monte Yogi[1], tornou-se o abade pela primeira vez, o templo estava dilapidado e os monges estavam preocupados. Portanto, um oficial recomendou que ele fosse reparado. O mestre disse, “Mesmo que o prédio esteja em ruínas, ele certamente é um lugar melhor para praticar zazen do que o chão ou embaixo de uma árvore. Se um setor estiver quebrado e com vazamentos, devemos nos mudar para um onde não haja vazamentos para praticar zazen. Se os monges pudessem atingir a iluminação com a construção de um salão, deveríamos construir um de ouro e de joias. A iluminação não depende de a construção ser boa ou ruim; depende apenas de nossa diligência no zazen”.

No dia seguinte, em um discurso formal, ele disse: “Agora me tornei o abade de Yogi, e o teto e as paredes têm muitas rachaduras e buracos. Todo o chão está coberto de pérolas de neve, os monges encolhem os ombros de frio e suspiram na escuridão.” Depois de uma pausa, ele continuou: “Isso me lembra os antigos sábios sentados sob as árvores.”

Não apenas no Caminho do Buda, alguns têm essa mesma atitude na política. O imperador Taiso, da dinastia To, não construiu um novo palácio.

Ryuge[2] disse: “Para estudar o Caminho, antes de tudo, você aprende a pobreza. Depois de ter aprendido a pobreza e se tornado pobre, você terá intimidade com o Caminho”. Desde o tempo de Xaquiamuni, até os dias atuais, nunca vi e nem ouvi falar de um verdadeiro estudante do Caminho que possuísse grande riqueza.


[1] Discípulo de Sekiso Soen, ele foi o fundador do ramo Yogi da Escola Rinzai. Seus sucessores estabeleceram a prática do koan.

[2] Ryuge Koton, discípulo de Tozan Ryokai, fundador da Escola Soto na China.

Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (75) – Livro 4 Parte 13

“(…) Até mesmo no mundo secular, se diz que a unidade da mente é necessária para manter uma casa ou proteger um castelo. Se faltar unidade, a casa ou o castelo, por fim, cairão. Os monges que saíram de casa para estudar com um único professor devem ser ainda mais harmoniosos, tal como a mistura de água e leite. Há também o preceito dos seis caminhos da harmonia. Não construa quartos individuais, nem pratique o Caminho separadamente, seja física ou mentalmente”.

LIVRO 4

4-13

Dogen instruiu:

No mundo secular se diz que um castelo desmorona quando as pessoas começam a sussurrar palavras dentro de suas paredes. Também se diz que quando há duas opiniões em uma casa, nem mesmo um alfinete pode ser comprado; quando não há conflito de opiniões, até mesmo ouro pode ser adquirido.

Até mesmo no mundo secular, se diz que a unidade da mente é necessária para manter uma casa ou proteger um castelo. Se faltar unidade, a casa ou o castelo, por fim, cairão. Os monges que saíram de casa para estudar com um único professor devem ser ainda mais harmoniosos, tal como a mistura de água e leite. Há também o preceito dos seis caminhos da harmonia[1]. Não construa quartos individuais, nem pratique o Caminho separadamente, seja física ou mentalmente. [Nossa vida neste mosteiro é] como cruzar o oceano em um único navio. Devemos ter unidade de mente, nos comportar da mesma maneira, dar conselhos uns aos outros para corrigir as falhas mútuas, seguir os pontos bons dos outros e praticar o Caminho com determinação. Este é o Caminho que as pessoas têm estado praticando desde a época do Buda.


[1] Estes são mencionados no Yorakukyo; a unidade das três ações – as de corpo, boca e mente, mantendo os mesmos preceitos, tendo a mesma percepção e realizando a mesma prática.