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> Zazen por… Shunryu Suzuki Roshi

“Na nossa prática de zazen, paramos de pensar e estamos livres da nossa atividade emocional. Não dizemos que não há atividade emocional, mas estamos livres dela. Não dizemos que não há pensamento, mas nossa atividade de vida não fica limitada pela nossa mente pensante. Em resumo, podemos dizer que acreditamos em nós mesmos totalmente, sem pensar, sem sensações, sem discriminar entre bem e mal, o certo e o errado. Por nos respeitarmos, por botarmos fé em nossa vida, sentamos. Essa é nossa prática. 

Quando nossa vida se basear em respeito e completa confiança, será uma vida completamente pacífica. O nosso relacionamento com a natureza também deveria ser assim. Devemos respeitar tudo e podemos praticar o respeito pelas coisas do mesmo modo como nos relacionamos com elas. 

(…) Se acharmos que é fácil praticar porque  temos um belo edifício, isso será um engano. Na realidade, talvez seja bem difícil praticar com um espírito forte nesse tipo de ambiente onde há um belo Buda e oferecemos belas flores para decorar o hall de Buda. Nós, zen budistas, temos um ditado: com uma folha de capim, criamos um Buda de ouro de quase cinco metros de altura. Esse é nosso espírito; portanto, precisamos praticar o respeito pelas coisas”.

(…) Embora ver um grande Buda dourado num grande Buda dourado seja mais fácil, quando você vê um grande Buda numa folha de capim, sua alegria será algo especial”…

Capítulo “O Respeito pelas coisas”, do livro Nem Sempre é assim, de Shunryu Suzuki Roshi

Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (45) – Livro 2 Parte 23

“(…) Muitos monges hoje em dia dizem que eles deveriam seguir costumes mundanos. Não penso que isso seja certo. Mesmo no mundo secular, pessoas sábias dizem que é impuro seguir as maneiras do mundo.

LIVRO 2

2-23

Certo dia Dogen disse em suas instruções:

Muitos monges hoje em dia dizem que eles deveriam seguir costumes mundanos. Não penso que isso seja certo. Mesmo no mundo secular, pessoas sábias dizem que é impuro seguir as maneiras do mundo. Por exemplo, Kutsugen (Quyuan)[1] disse: “Todos no mundo estão bêbados, apenas eu estou sóbrio.” Ele se recusou a acompanhar os caminhos comuns das pessoas e finalmente se atirou do Rio Soro (Cangláng) e se afogou.

E ainda mais, o buda-darma vai totalmente contra as maneiras mundanas. Pessoas leigas comem em demasia, monges comem uma vez por dia. Tudo é o contrário. E, por fim, monges se tornam pessoas de grande paz e contentamento (Nirvana). Por esta razão o caminho dos monges é totalmente oposto ao caminho do mundo secular.


[1] Kutsugen (Quyuán, 343?-227?a.C.), político e poeta na China. Ele viveu no Período dos Estados Combatentes.

Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (44) – Livro 2 Parte 22

“(…) Apenas percebam que prática e estudo em si mesmos são o buda-darma. Sem buscar nada, abstenha-se de se envolver em assuntos mundanos ou coisas más mesmo que você tenha uma mente disposta a tal. Não pense sobre, nem odeie o tédio da prática do Caminho. Apenas pratique sinceramente. Pratique sem nem mesmo buscar a completude do Caminho ou a obtenção do resultado. Esta atitude está de acordo com o princípio do não-buscar.

LIVRO 2

2-22

Certa ocasião, alguém perguntou,

            “Como você se sente a respeito da seguinte perspectiva? E se, depois de ouvir que seu próprio eu é o buda-darma e que é fútil buscar qualquer coisa fora de si mesmo, um estudante acreditasse profundamente nisso, abrisse mão de praticar e estudar e passasse toda a sua vida fazendo o bem e o mal de acordo com sua natureza?

Dogen pensou e disse:

            “De acordo com essa perspectiva, as palavras e a realidade de uma pessoa são contraditórias. Abrir mão da prática e abandonar o estudo devido à futilidade de buscar alguma coisa fora de si, soa como algo que está sendo procurado através do ato de abrir mão. Isso não é não-buscar.

            Apenas percebam que prática e estudo em si mesmos são o buda-darma. Sem buscar nada, abstenha-se de se envolver em assuntos mundanos ou coisas más mesmo que você tenha uma mente disposta a tal. Não pense sobre, nem odeie o tédio da prática do Caminho. Apenas pratique sinceramente. Pratique sem nem mesmo buscar a completude do Caminho ou a obtenção do resultado. Esta atitude está de acordo com o princípio do não-buscar.

            Quando Nangaku (Nanyue)[1] polia uma telha para torná-la um espelho, ele estava repreendendo Baso por sua busca de se tornar um Buda. Ainda assim, ele não impediu que Baso sentasse em zazen. Sentar em si é a prática do buda. Sentar em si mesmo é não-fazer. Não é nada mais do que a forma verdadeira do Eu. Além de sentar, não há nada a procurar como sendo o buda-darma.”


[1] Quando Baso Doitsu (Mazu Daoyi, 701-788) estava sentado sozinho em um eremitério, seu professor Nangaku Ejo (Nanyue Huirang, 677-744) o visitou e perguntou: “O que você pretende se tornar sentando zazen? ” Baso disse: “Tenho a intenção de me tornar um Buda.” Nangaku então pegou um pedaço de telha e começou a polir em uma pedra na frente da cabana. Baso perguntou: “Mestre, o que você está fazendo?” Nangaku respondeu: “Estou polindo a telha para fazer dela um espelho”. Baso disse: “Como você pode fazer um espelho polindo uma telha?” Nangaku respondeu: “Como você pode se tornar um Buda praticando zazen?”