Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (59) – Livro 3 Parte 11

Embora muitos leigos tenham aprendido o darma desde tempos antigos, mesmo aqueles conhecidos como bons praticantes não estavam à altura dos monges. Uma vez que os monges não possuem nenhum patrimônio, a não ser os três mantos e uma tigela, nunca se preocupam a respeito de onde irão morar, e não são gananciosos em relação a comida ou vestimenta, eles obterão benefícios à medida que se devotarem a aprender o Caminho de acordo com sua capacidade. Isso ocorre por que ser pobre é estar em proximidade com o Caminho”.

LIVRO 3

3-11

Certo dia um monge chegou e perguntou sobre o que se deve ter cuidado ao aprender o Caminho. Dogen respondeu:

“Antes de qualquer coisa, uma pessoa que estuda o Caminho deve ser pobre. Se você possui grande riqueza, com certeza perderá a aspiração.

Se um leigo que está aprendendo o Caminho ainda se apega a riqueza, cobiça moradia confortável, e se mantém na companhia de parentes, mesmo tendo a aspiração, irá se confrontar com muitos obstáculos no aprendizado do Caminho.

Embora muitos leigos tenham aprendido o darma desde tempos antigos, mesmo aqueles conhecidos como bons praticantes não estavam à altura dos monges. Uma vez que os monges não possuem nenhum patrimônio, a não ser os três mantos e uma tigela, nunca se preocupam a respeito de onde irão morar, e não são gananciosos em relação a comida ou vestimenta, eles obterão benefícios à medida que se devotarem a aprender o Caminho de acordo com sua capacidade. Isso ocorre por que ser pobre é estar em proximidade com o Caminho.

Hoon[1] era um leigo, mas não era inferior aos monges; seu nome permaneceu entre os praticantes Zen. Quando começou a aprender o Zen, ele pegou todas as posses de sua família e estava prestes a jogá-las no mar. As pessoas tentaram dissuadi-lo dizendo, “Você deveria dar a outros ou usá-las pelo bem do Budismo.”

Ele respondia, “Estou as jogando fora porque acredito que elas são prejudiciais. Uma vez que acredito que são prejudiciais, como posso dá-las a outras pessoas? Riqueza é um veneno que faz adoecer tanto corpo quanto mente.”

No fim, ele as jogou no mar.

Depois disso, ele fazia cestas de bambu e as vendia para viver. Embora fosse um leigo, por ter abandonado sua riqueza, as pessoas o consideravam uma boa pessoa. E tão mais deveria um monge completamente desistir da riqueza.”


[1] Hoon (?–808), discípulo leigo de Baso Doitsu.

Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (58) – Livro 3 Parte 10

Sem ter a mínima expectativa, mantenha os modos de conduta prescritos. Pense em agir para salvar e beneficiar os seres vivos, pratique com seriedade todas as boas ações e abandone as más ações anteriores. Faça isso apenas em prol de se tornar o fundamento da felicidade para os homens e seres celestiais. Sem estagnar em boas ações do presente, continue praticando por toda sua vida. Um ancião chamou a isso de “’quebrando o fundo do balde de laca”[2].  O Caminho dos budas e ancestrais é assim“.

LIVRO 3

3-10

Dogen também disse:

Então, se você deseja praticar o Caminho dos budas e ancestrais, você deveria praticar o Caminho dos antigos sábios e imitar a conduta dos ancestrais sem (qualquer expectativa de) lucro; não espere nada, não busque nada, não obtenha nada.

Mesmo que você deixe de buscar e abra mão de expectativas de se tornar buda, se parar de praticar e continuar se engajando em suas más ações anteriores, você ainda será culpado por buscar e retrocederá ao velho ninho[1].

Sem ter a mínima expectativa, mantenha os modos de conduta prescritos. Pense em agir para salvar e beneficiar os seres vivos, pratique com seriedade todas as boas ações e abandone as más ações anteriores. Faça isso apenas em prol de se tornar o fundamento da felicidade para os homens e seres celestiais. Sem estagnar em boas ações do presente, continue praticando por toda sua vida. Um ancião chamou a isso de “’quebrando o fundo do balde de laca”[2].  O Caminho dos budas e ancestrais é assim.


[1] O velho ninho é para onde sempre voltamos. Um tipo de moldura da qual não conseguimos sair, ou seja, a tendência ou o sistema de valores formado por nossa educação, experiências etc. É o eu cármico (ou condicionado).

[2] Um recipiente para laca. É tão preto que você não consegue distinguir entre as coisas. Esta é uma metáfora para as ilusões, ignorância e apego ao ego. Quebrar o balde de laca significa libertar-se dos sentimentos humanos condicionados.

Outras

> Introdução ao zazen: presencial para iniciantes – 04/06

Olá, estão abertas as inscrições para a prática presencial de iniciantes, no dia 04/06 às 10h30.

INSCREVA-SE AQUI

As vagas são limitadas. Faça sua inscrição apenas se tiver a firme intenção de comparecer.

É também uma prática zen estarmos atentos ao impacto de nossas ações sob as outras pessoas: se você se inscrever e não comparecer, estará tirando a vaga de alguém.

O Zendo é uma sala de grandes mosteiros, templos ou centros de prática usada somente para fazer zazen. Algumas salas são maiores e permitem seguir as regras dos antigos mestres fundadores. Outras são menores e necessitam de adaptações. O importante é saber que são locais para encontrar Buda.  A grande maioria dos locais de prática tem procedimentos básicos e comuns, regras de comportamento e respeito. Faz parte da prática do Zen aprender os procedimentos de cada sala/espaço, sem querer impor seu próprio jeito ou algum outro método que tenha aprendido em outro lugar. Mantenha-se alerta e adapte-se às instruções dos professores.

ORIENTAÇÕES:

  • HORÁRIO DE CHEGADA NA SALA: entre 10h20 e 10h30 – pedimos que sejam pontuais. Evitem chegar muito mais cedo pois há outra prática antes.
  • As roupas devem ser confortáveis e simples. Não é permitido usar saias e bermudas. As cores, de preferência, neutras e escuras
  • Não usar meias (pés descalços e roupas Iargas facilitam a circulação sanguínea durante o zazen).
  • Não portar telefone celular nem qualquer objeto que produza sons;
  • Não usar relógios, jóias, enfeites, colares e adornos;
  • Evitar o uso de maquiagem, perfumes, cremes ou produtos cujo odor possam incomodar;
  • Não se levante no meio da prática (a não ser por alguma questão emergencial)
  • Harmonia e respeito são fundamentais. Todos os movimentos devem ser feitos com atenção e cuidado. 
  • Silêncio: não é permitido falar na sala de zazen, principalmente durante os períodos de zazen.

ENDEREÇO: Tv. Nestor de Castro, 247 – Bloco C – Sala 1 – Centro, Curitiba – PR, 80020-250

Telefone/Whatsapp para contato: (41) 9 9117 6232 (Ryuzan)

Estacionamento com convenio: Dr Muricy,1021 (não há placa com nome) – R$10 o período.