Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (46) – Livro 2 Parte 24

“(…) a grande paz e contentamento (Nirvana) que nunca é perdido uma vez obtido depende apenas de se ter a aspiração de fazer com que este corpo semelhante a um espectro siga a vontade de Buda em seu tempo de vida. No entanto, os ensinamentos de Buda nunca encorajam o ato de fazer nosso corpo sofrer sem sentido. Se você seguir a atitude e o comportamento prescritos nos preceitos, seu corpo ficará à vontade, seu comportamento será apropriado, e você não irá perturbar outras pessoas. Portanto, abandone prazeres físicos causado por visões egocêntricas e siga minuciosamente os preceitos de Buda..

LIVRO 2

2-24

Certo dia Dogen instruiu:

            De modo a governar o mundo, desde o imperador até as pessoas comuns, cada pessoa que tem uma ocupação realiza sua própria função. Ser inadequado para uma posição é chamado de “desorganização do mundo”. Quando o modo de governar está de acordo com a vontade do céu, o mundo está em paz e as pessoas estão à vontade. É por isso que o imperador se levanta à 01:00h da manhã e lidera o trabalho de governar o mundo. Não é uma coisa fácil. Este é também o caso do darma de buda, diferente apenas nas funções e atividades que são realizadas. No caso do imperador, ele pessoalmente executa os deveres de governar com toda sua inteligência, considerando os precedentes de épocas anteriores, enquanto busca ministros dotados de virtude e habilidade. Quando este modo de governar está de acordo com a vontade do céu, é chamado de “mundo bem governado”. Se o imperador for negligente em seus deveres, ele vai contra a vontade do céu, o mundo se torna desordenado e as pessoas sofrem.

            O imperador, a nobreza, os alto oficiais, os oficiais seniores, os oficiais comuns e as pessoas comuns estão todos encarregados de suas respectivas funções. Uma pessoa que executa seus deveres pode ser chamada humana. Se alguém for contra seus deveres, será punido pelo céu porque causou desordem no céu.

            Portanto, estudantes do buda-darma, mesmo que você tenha deixado sua casa e partido do mundo secular, você não deveria desejar viver uma vida fácil. Você não deveria perder nem sequer um minuto. Embora no começo possa parecer vantajoso, mais tarde será a causa de más influencias. Seguindo o caminho dos monges (os que deixaram o lar), você deveria cumprir seus deveres e lançar-se na sua prática. Ao governar o mundo secular, mesmo que alguém possua precedentes, regras ou exemplos de governantes anteriores, algumas vezes ele terá que seguir os exemplos de seus contemporâneos, uma vez que não há uma maneira específica que tenha sido transmitida pelos antigos sábios nem por outras grandes pessoas. Para os filhos de Buda, contudo, há precedentes definidos e ensinamentos das escrituras. Há também professores que receberam a transmissão de tais tradições. Somos capazes de refletir. Em cada ação de se mover, ficar de pé, sentar e deitar, se pensarmos nos precedentes e seguirmos nossos predecessores em nossa prática, não há razão para falhar em obter o Caminho. No mundo secular, as pessoas desejam estar em harmonia com a vontade do céu. Os praticantes do Budismo desejam estar em harmonia com a vontade de Buda. As tarefas são as mesmas, mas o resultado (para o Budista) é superior. Pois a grande paz e contentamento (Nirvana) que nunca é perdido uma vez obtido depende apenas de se ter a aspiração de fazer com que este corpo semelhante a um espectro siga a vontade de Buda em seu tempo de vida. No entanto, os ensinamentos de Buda nunca encorajam o ato de fazer nosso corpo sofrer sem sentido. Se você seguir a atitude e o comportamento prescritos nos preceitos, seu corpo ficará à vontade, seu comportamento será apropriado, e você não irá perturbar outras pessoas. Portanto, abandone prazeres físicos causado por visões egocêntricas e siga minuciosamente os preceitos de Buda.

Outras

> Zazen por… Shunryu Suzuki Roshi

“Na nossa prática de zazen, paramos de pensar e estamos livres da nossa atividade emocional. Não dizemos que não há atividade emocional, mas estamos livres dela. Não dizemos que não há pensamento, mas nossa atividade de vida não fica limitada pela nossa mente pensante. Em resumo, podemos dizer que acreditamos em nós mesmos totalmente, sem pensar, sem sensações, sem discriminar entre bem e mal, o certo e o errado. Por nos respeitarmos, por botarmos fé em nossa vida, sentamos. Essa é nossa prática. 

Quando nossa vida se basear em respeito e completa confiança, será uma vida completamente pacífica. O nosso relacionamento com a natureza também deveria ser assim. Devemos respeitar tudo e podemos praticar o respeito pelas coisas do mesmo modo como nos relacionamos com elas. 

(…) Se acharmos que é fácil praticar porque  temos um belo edifício, isso será um engano. Na realidade, talvez seja bem difícil praticar com um espírito forte nesse tipo de ambiente onde há um belo Buda e oferecemos belas flores para decorar o hall de Buda. Nós, zen budistas, temos um ditado: com uma folha de capim, criamos um Buda de ouro de quase cinco metros de altura. Esse é nosso espírito; portanto, precisamos praticar o respeito pelas coisas”.

(…) Embora ver um grande Buda dourado num grande Buda dourado seja mais fácil, quando você vê um grande Buda numa folha de capim, sua alegria será algo especial”…

Capítulo “O Respeito pelas coisas”, do livro Nem Sempre é assim, de Shunryu Suzuki Roshi

Textos e Sutras

> Shobogenzo Zuimonki (45) – Livro 2 Parte 23

“(…) Muitos monges hoje em dia dizem que eles deveriam seguir costumes mundanos. Não penso que isso seja certo. Mesmo no mundo secular, pessoas sábias dizem que é impuro seguir as maneiras do mundo.

LIVRO 2

2-23

Certo dia Dogen disse em suas instruções:

Muitos monges hoje em dia dizem que eles deveriam seguir costumes mundanos. Não penso que isso seja certo. Mesmo no mundo secular, pessoas sábias dizem que é impuro seguir as maneiras do mundo. Por exemplo, Kutsugen (Quyuan)[1] disse: “Todos no mundo estão bêbados, apenas eu estou sóbrio.” Ele se recusou a acompanhar os caminhos comuns das pessoas e finalmente se atirou do Rio Soro (Cangláng) e se afogou.

E ainda mais, o buda-darma vai totalmente contra as maneiras mundanas. Pessoas leigas comem em demasia, monges comem uma vez por dia. Tudo é o contrário. E, por fim, monges se tornam pessoas de grande paz e contentamento (Nirvana). Por esta razão o caminho dos monges é totalmente oposto ao caminho do mundo secular.


[1] Kutsugen (Quyuán, 343?-227?a.C.), político e poeta na China. Ele viveu no Período dos Estados Combatentes.