
> INSCRIÇÕES – Mini Zazenkai 24/07



“Se alguém aspira praticar o darma de Buda, virá e o estudará mesmo se tiver que cruzar montanhas, rios e oceanos. Se lhe faltar tal convicção, não há certeza de que irá aceitá-lo, mesmo que eu vá até lá e exorte-lhes (a praticar).”
LIVRO 2
2-7
Certa vez, alguém encorajou Dogen a ir até Kanto[1] para ajudar no florescimento do Darma de Buda.
Dogen se recusou. “Se alguém aspira praticar o darma de Buda, virá e o estudará mesmo se tiver que cruzar montanhas, rios e oceanos. Se lhe faltar tal convicção, não há certeza de que irá aceitá-lo, mesmo que eu vá até lá e exorte-lhes (a praticar). Devo enganar as pessoas meramente visando apoio material? Isso não seria apenas ganância por riqueza? Considerando que eu obteria tão somente cansaço, não sinto necessidade alguma de ir.”
[1] Kanto se refere à parte oriental do Japão, neste caso Kamakura, onde o Shogunato (governo) estava localizado. Naquela época, os samurais que assumiram o poder político na corte em Kyoto aceitavam o Zen Budismo. Muitos Mestres do Zen Chinês vieram da China; por exemplo, Rankei Doryu, Mugaku Sogen, etc, e um número de templos Zen foram fundados lá. A pessoa estava sugerindo que Dogen fosse lá para obter apoio do governo Shoguntato. Mais tarde, entretanto, depois que Dogen se mudou para Eijeiji, ele visitou Kamakura e ficou lá por um semestre.

“Mente bodai é estudar o portal do darma (ensinamento) dos ‘três mil mundos em um único instante de pensamento’ e retê-los em sua mente.”
LIVRO 2
2-5
Em uma palestra vespertina, Dogen disse:
A biografia do falecido Sojo Eisai, de Kenninji, foi escrita pelo vice-ministro Akikane[1], um monge leigo. A princípio ele recusou fazê-la, dizendo que “ela deveria ser escrita por um estudioso Confucionista, porque tais estudiosos esquecem seus próprios corpos e se dedicam a estudar desde a mais tenra infância. Portanto, não há erros em seus escritos. Para pessoas comuns, trabalhar para o governo e se entrosar socialmente são seus propósitos principais; elas deixam o estudo de lado. Embora tenham existido algumas pessoas eminentes, ocorreram erros em seus escritos.”
Na medida em que penso sobre isso, percebo que pessoas de antigamente esqueceram de seus corpos para estudar até mesmo textos não-Budistas.
Dogen também disse:
O falecido Sojo Koin[2] disse, “Mente bodai é estudar o portal do darma (ensinamento) dos ‘três mil mundos em um único instante de pensamento’ e retê-los em sua mente. Isso é chamado mente bodai. Vaguear sem rumo e desorientado com um chapéu de bambu[3] pendurado no pescoço é considerada uma ação influenciada por um demônio.”
[1]Minamoto Akikane (?-1215). “Monge leigo”, tradução de nyudo (aquele que adentrou o Caminho), significa uma pessoa que recebeu ordenação e se tornou monge, mas ainda assim vive em casa com sua família. “Vice-ministro” é tradução de chunagon.
[2] Koin (?-1216) tornou-se o abade de Onjoji (ou Miidera), em Otsu. Mais tarde ele se tornou aluno de Honen e praticou Nenbutsu (Budismo Terra Pura). Quando Dogen era adolescente, ele visitou Koin para perguntar sobre as dúvidas que ele tinha enquanto estudava Budismo no Monte Hiei. De acordo com a biografia de Dogen, Koin sugeriu que Dogen visitasse Eisai para resolver suas questões e praticar o Zen.
[3] Quando viajavam, os monges usavam chapéus de bambu. O que Koin quis dizer é que correr para lá e para cá sem estudar e praticar os ensinamentos fundamentais era um erro.