
> INSCRIÇÕES – Mini Zazenkai 28/08



“Nos dias de hoje, monges Zen apreciam ler literatura, compor poesia e escrever discursos do darma. Isso está errado. Bote no papel o que estiver em sua mente, mesmo que você não consiga compor poesia. Escreva os ensinamentos do portal do darma, mesmo que seu estilo não seja refinado.”
LIVRO 2
2-8
Dogen também disse:
Pessoas que estudam o Caminho não deveriam ler as escrituras das escolas-de-treinamento, nem estudar textos não-Budistas. Se você pretende estudar, leia as coletâneas de ditados [dos mestres Zen antigos]. Por enquanto, deixe de lado todos os outros livros. Nos dias de hoje, monges Zen apreciam ler literatura, compor poesia e escrever discursos do darma. Isso está errado. Bote no papel o que estiver em sua mente, mesmo que você não consiga compor poesia. Escreva os ensinamentos do portal do darma, mesmo que seu estilo não seja refinado. Pessoas sem a mente bodai não lerão algo que não seja refinado. Tais pessoas apenas brincariam com palavras, sem alcançar a realidade [por trás delas], mesmo que o estilo fosse embelezado e contivesse excelentes frases.
Desde a infância, sempre gostei de estudar literatura, e ainda hoje tenho uma tendência a contemplar a beleza nas palavras dos textos não-budistas. Algumas vezes até me refiro a Monzen ou a outros textos; mesmo assim, considero-o sem propósito e deveria ser completamente abandonado.

“O sentar-se reúne os três elementos fundamentais do budismo, isto é, os preceitos, o poder de concentração e o satori-sabedoria.
É óbvio, naturalmente, que a concentração é fortalecida e a mente desenvolve a estabilidade, mas poderá ser menos óbvio para você que o seu olho de verdadeira sabedoria vai-se abrindo gradualmente, à medida que sua natureza pura essencial é purificada de suas ilusões e se ordena por meio do sentar-se sincero e fiel.
Com relação aos preceitos, é claro que ninguém pode matar ou roubar ou mentir durante o zazen. Num sentido mais profundo, entretanto, a observância dos preceitos se fundamenta no zazen, porque, através do zazen, você vai gradualmente se libertando das ilusões básicas que levam o homem a cometer o mal, a saber, a ilusão de que o mundo e a própria pessoa são separados e distintos.
Essencialmente não existe tal bifurcação. O mundo não está fora de mim – é eu mesmo! Esta é a realização de sua natureza-Buda, da qual a observância dos preceitos surge naturalmente e espontaneamente. Para ter certeza, quando você tiver percebido seu verdadeiro Eu, tudo isto terá sentido para você, mas sem esta experiência o que acabo de dizer é difícil de compreender”.
Excerto do livro “Os três pilares do Zen”, de Phillip Kapleau